sexta-feira, 23 de novembro de 2007

MONGA come BACK!!!

BroW! Tenho que me jogar agorinha mesmo no Playcenter. Fiquei sabendo que a Songa anda apavorando por lá... Songa, não... MONGA! Ou Monga-songa, tanto faz! Só sei que ela toca o TERROR, ela sabe CAUSAR! Eu amo a Monga... Desde os tempos de minha inocente infância, onde eu levantava a saia das irmãs evangélicas da igreja Batista que minha mãe insistia em me levar. Ela, coitada, queria que eu, um insano capetinha, fosse crente, iPOD? Não... Isso nunca que podia dá muito certo!

E quando mamãe me levava pro parque de diversão? Eu não queria saber de roda gigante, carrossel, algodão doce... Nada dessas coisas de retardado. Eu queria saber era da MONGA. Até na Disney eu procurei por ela e não achei. Fiquei traumatizado com a Disney, nunca + que eu volto praquele lugarzinho patético. Lá não existe Monga. E sempre foi ela quem me emocionou num parque. A Monga foi a primeira PAIXÃO de minha surtada VIDA!
Não vejo a hora de me picar por Playcenter e reencontrar o conforto absoluto nos braços da minha tão amada MONGA... Salve a MONGA!!! Ela finalmente voltou só pra mim!!!

Sem GELO

E já que algumas pessoas pediram, eu vou postar o teXto que fiz pro DramaMIX da versão 2007 das Satyrianas.
.
Desenvolvi essa minúscula peça teatral tendo o DESEJO como base.
.
E como nesse ano que já se finda a sacanagem política deitou e rolou com o caso Renan Calheiros e sua amante-jornalista, eu tb quis meter minha colher de pau oco nesse caldeirão de PUTARIA grossa.
.
Como jornalista que sou, eu não parava de ler matérias falando de políticos flagrados em programinhas bizarros com garotas "de menor".
.
Daí veio o gancho e o argumento pra peça.
.
E o “Sem Gelo” até já ganhou uma versão MAIOR, pra uma encenação de uma hora, mais ou menos. A Bárbara, que nesse mix é apenas citada, entra em cena nessa versão ampliada que eu já escrevi. E ela é um elemento-chave, dá uma reviravolta na trama.
.
Tb tem a Cacau, uma garota de programa, caso de Artur, que surge na história só pra engrossa + ainda esse caldo nada froZEN.
.
Mas a versão ampliada, todo mundo só verá no palco (se alguém quiser montar, claro, hehehe).
.
Agora, pegue o teu whisky cowboy e se embriague com a minha versão MIX. E tome Engov depois... hehehe!
..

PEÇA em UM único GOLE

.
CENÁRIO: um gabinete com artefatos em cores FRIAS. A ILUMINAÇÃO também é fria. TUDO nesse gabinete é muito frio. Com exceção de ARTUR, um cara radiante, SOLAR.
Bastante entretido e com uma certa EXCITAÇÃO, Artur manuseia um laptop. Entre os objetos que estão em cima da mesa de seu gabinete destaca-se uma GARRAFA de WHISKY 12 anos.
FERNANDO entra em cena meio servil, meio confuso. E ele traz em suas mãos um reluzente baldinho cheio de pedras de GELO.
ARTUR:
E aí, meu caríssimo assessor! Você já fez o que eu te pedi? Já contratou as gostosas?
FERNANDO: Hã... Quem?
ARTUR: As gostosas, Fernando! Não me diga que você ainda não contratou as gostosas pra minha festinha privê de hoje à noite!?
FERNANDO (totalmente confuso): Eu, eu...
ARTUR: E essas gatinhas têm que ser do jeito que eu mais gosto, beleza? Exatamente como nas fotos desse site aqui... (apontando para a tela do seu laptop) Bem peitudinhas, com umas bundas no ponto certo de levar bala... E todas elas têm que ter a idade do meu uísque!
FERNANDO: O quê? Idade do teu uísque? Peraí, Artur... Você pediu pra eu contratar umas garotas de programa. Não me disse que elas...
ARTUR: Pois eu tô te dizendo agora: eu quero garotas da idade do meu uísque!
FERNANDO (agitado): Artur, o teu uísque é 12 anos! Você ficou maluco? Doze anos não pode ser...
ARTUR: Já é, Fernando! Gatinhas da idade do meu uísque SIM. E tem que bater o maior bolão, mandar muitíssimo bem num boquete.
O CELULAR de Artur toca. Ele consulta o display.
ARTUR:
Porra, que saco... É a Bárbara!
Artur atende o celular e Fernando tenta escutar tudo enquanto folheia discretamente uma agenda.
ARTUR (com um carinho forçado):
Oi, amor!!! Eu... Eu tava pensando justamente em você agora. Era só saudade mesmo...(agora, meio gaguejando) Hã? Hoje à noite? Não, não! Éééé que... Hoje não vai rolar, meu amor... Eu tô cheio de compromissos! É... Campanha eleitoral, né? A gente tem que passar a mão na cabeça desse povo, comer aquelas gororobas nojentas... Mas Até que tá valendo a pena passar por todo esse calvário, sabe... A minha candidatura tá mais em alta do que o etanol. Essa eleição, Bárbara, é toda nossa! Pode deixar, querida... Eu vou mas eu volto... Só pra você, tá! Beijos, meu amor!
Artur desliga o celular como quem se livra de uma TORTURA.
FERNANDO (ainda folheando a agenda):
Como é que ela tá, Artur?
ARTUR (indiferente): Ela quem?
FERNANDO (fechando a agenda): A Bárbara! Não era com ela que você tava falando?
ARTUR: Ah... A Bárbara é aquilo que todo mundo já conhece: ela tá sempre bem, sempre linda, sempre por cima... Um porre!
FERNANDO: Escuta só, Artur: a Bárbara é a mulher perfeita pra estar do teu lado no dia da tua posse...
ARTUR: É! Você não deixa de ter razão... Mas bora deixar a Bárbara pra lá e falar sobre o que realmente interessa.
FERNANDO: Claro, os teus compromissos eleitorais de hoje...
ARTUR (cortando): Eu quero mais é saber das gostosinhas que você contratou, meu caro! E se não contratou, trate de contratar agora!
FERNANDO: Meu Deus... É inacreditável! Doze anos?
Artur pega a garrafa de whisky e passa a admirar o seu RÓTULO.
ARTUR:
Nem mais, nem menos... Apenas 12!
Artur coloca um pouco de seu whisky em um copo.
Fernando pega o balde cheio de gelo e oferece para Artur.
FERNANDO:
Tem gelo aqui, ó!
ARTUR: Não, gelo não! Prefiro cowboy mesmo... Dá mais tesão!
Artur bebe uma pequena dose de seu whisky.
Fernando fica apenas observando cada gole de Artur, sempre demonstrando uma certa perturbação.
Artur logo percebe a aflição de Fernando e, de uma forma propositadamente SACANA, oferece para ele a última dose de whisky que ainda resta no seu copo.
ARTUR:
Bebe uma dose aí, Fernandinho!
FERNANDO (seco): Você tá cansado de saber que eu NÃO bebo!
ARTUR: Você não bebe, não fuma, não cheira e nem fede... Olha só pra você, cara! Tá sempre assim, todo engomadinho, com essa carinha de nerd punheteiro... É o mais perfeito protótipo de workoholic que eu conheço. Tô começando a achar que tu se faz de morto só pra comer o cú do coveiro.
FERNANDO (irritado): Pára com isso, Artur! A gente ainda tem um monte de coisa pra fazer antes da tua eleição, cara. E não dá mais pra perder tempo!
ARTUR (sarcástico): Ah, Fernando... Pára com isso você, viu! Todo mundo tem uma tara, um... Sei lá, um vício qualquer. Me conta qual é o teu, vai? Fala, cara! Eu sou teu chegado...
FERNANDO (sério e cortante): Vício, Artur, é pra quem pode se dar ao luxo.
ARTUR: Ô, Fernandinho... Pra cima de ‘muá’ com esse papo?
FERNANDO: Eu NÃO tô aqui pra brincadeiras, Artur! Eu tenho metas pra alcançar... Metas que estão ligadas ao TEU sucesso político... (com uma ponta de resignação) o MEU sucesso, Artur, depende do teu!
ARTUR (ainda debochando): Então tá, meu caríssimo! Se é você quem diz isso, já tá dito e não se fala mais nisso. Mas eu confesso que vou ficar bem mais “sussa” no dia que eu te vê totalmente relaxado, chutando o pau da barraca mesmo e com uma boazuda aí do teu lado, fazendo você pirar o cabeção...
FERNANDO (incomodado): Menos, né, Artur!
ARTUR: Ah, por que menos? Você também é filho de Deus e, como se diz por aí, Deus é mais!
Artur volta a saborear o seu whisky cowboy enquanto Fernando continua altamente incomodado com tudo aquilo ali.
ARTUR (saboreando o whisky):
Nossa! Mas isso aqui é tipo primeira classe com destino ao paraíso... É quase um boquete feito por uma boca GULOSA e macia.
FERNANDO (controlando a sua irritação): Boquete... Você só pensa nisso!
Provocativo, Artur fala bem perto do ouvido de Fernando.
ARTUR:
Mas é claro, Fernandinho... Me diz se existe sensação mais louca do que a de sentir o teu PAU rasgando a GARGANTA de alguém?
Fernando engole em seco. E, cheio de cinismo, Artur volta a oferecer uma dose de seu whisky para ele.
ARTUR:
Pega aí, parceiro... Só um tiquinho. Experimenta, vai!
Profundamente perturbado, Fernando começa a folhear vários jornais, tentando mudar de assunto.
FERNANDO:
Você... Você já viu as manchetes de hoje? Todas elas dizem que você lidera com vantagem as pesquisas eleitorais.
ARTUR: Ah! Essa eleição eu já papei... Já me sinto no poder! Até porque não há nada mais maleável no mundo que o senso comum. Mas, pelo menos dessa vez, as massas estão escolhendo o melhor: EUzinho aqui!
FERNANDO: Que humilde você é.
ARTUR: Meu caro assessor, os bons NÃO precisam ser modestos. Concorda?
FERNANDO: Não! Mas eu até que concordo que a tua primeira posição nas pesquisas eleitorais merece sim uma boa comemoração...
ARTUR: Claro! E é por isso mesmo que eu vou comemorar hoje à noite com as gostosinhas que você vai contratar agora só pra mim. Essa festinha no iate vai, ó, bombar, Fernando!
FERNANDO: Iate?
ARTUR: Isso mesmo... Num iate! Imagina só: eu e as gatinhas boas de boquete no meio do mar, em plena luz da lua, na maior pegação...
FERNANDO: Artur... Isso NÃO!
ARTUR (cínico): Isso SIM!
FERNANDO (agitado): Cuidado, Artur! O mar... Ele, ele é sujeito a ressacas, tsunamis...
ARTUR: Jura?
FERNANDO: E isso, na política, já afogou peixes bem mais graúdos que você.
ARTUR: E eu lá quero saber quem botou fogo no mar, Fernandinho... Eu quero mais é comer peixe frito. E, de preferência, que esse peixe seja uma boa PIRANHA.
FERNANDO: Pensa bem, cara... Balada com garotinhas em alto mar nessa altura do campeonato? Olha só aqui, ó... (abrindo novamente a agenda) Tá lotadíssima! Você não pode...
ARTUR (decididamente cortante): Parceiro... Já tá tudo resolvido! Pára de ‘nhém-nhém-nhém’ e contrata logo essas gostosinhas, sacô!
FERNANDO (muito agitado): Artur, me escuta, pelo amor de Deus! Você é um cara superjovem e já tá com tudo na política. Qualquer vacilo, cara, pode afundar de vez o teu barco.
ARTUR: Qual é, Fernando? Às vezes eu acho que você é um marciano ou o oitavo passageiro, sei lá... Parece até que você é de um outro planeta, que entrou na política ontem. Fala sério, né? Qualquer ‘mané’ nesse país já tá cansado de saber que política e sacanagem tão ali, ó, se empanturrando na mesma suruba.
FERNANDO (extremamente agitado): Pára de ser inconsequente, Artur! Se te flagram comendo uma menina de 12 anos é cana na certa... E não vai ter pizza, lasanha, nem McFritas que salve a tua pele. Os caras da imprensa vão cair matando, vão detonar a tua carreira política e o caralho a quatro!
ARTUR: Caralho a quatro... Boa!!! Você me deu uma ótima idéia pra eu praticar com as gostosinhas...
FERNANDO (nervoso): São meninas de 12 anos que mal saíram das fraudas, Artur!
ARTUR (quase tendo uma crise de riso): Porra... Agora só tá faltando você me convencer que o grande culpado de toda essa putaria sou eu. Se eu abro a revista, tá lá a modelinho de 12 anos tirando onda de boazuda numa campanha de refrigerante light; Se eu ligo a televisão, aí me aparece uma típica “Lolita” com uma roupa de soldadinho de chumbo toda enfiada no rabo e cantando “Atirei o Pau no Gato” com voz de recepcionista de motel, né... E sou eu agora o grande lobo mau desse conto da Carochinha pornô? Fala sério, parceiro!
FERNANDO (a beira de uma síncope): Eu lavo as minhas mãos!!!
ARTUR: Fica frio, Fernando! Até porque eu não tô fazendo nada que alguém já não tenha feito antes. Eu tô apenas garantindo o meu futuro político.
FERNANDO: Futuro político, Artur? Saindo com meninas de 12 anos?
ARTUR: Pensa bem, vai! Essas gatinhas vão votar um dia, né mesmo? E é bom que eu já conquiste o voto delas desde cedo...
FERNANDO: Ah, não... Você é um caso perdido! Quer saber, Artur, eu, eu... Cara, nem parece que você é casado com a Bárbara!!!
ARTUR: Porra, Fernando... Vira e mexe, você tá sempre falando na Bárbara. O quê que a Bárbara tem a ver com esse nosso papo aqui, hein?
FERNANDO (bastante nervoso): É que... A maioria dos homens, Artur, com o mínimo de sensatez, daria TUDO por uma mulher como a Bárbara.
Artur se aproxima de Fernando e o ENCARA seriamente.
ARTUR:
E você, Fernando, daria QUANTO pela Bárbara, hein?
FERNANDO (atordoadíssimo): Hã?!?!
ARTUR: Vai, Fernando! Me diz quanto você daria pela Bárbara?
Por um instante, Fernando fica completamente PARALISADO, as palavras lhe faltam, ele transpira de nervosismo. Mas, logo depois, ele se esforça e consegue se recompor.
FERNANDO (bastante sério):
Olha aqui, Artur! Você não tá falando de uma qualquer, de uma dessas vagabundas que se compra por aí a 1,99... A Bárbara é a TUA mulher!
ARTUR: A Bárbara é só casada comigo e nada mais que isso, Fernando... Ela é neta de senador, tem toda uma tradição política na família, tem vários tios magistrados...
FERNANDO: Você não tem noção do que diz, Artur... É impressionante!
ARTUR: Eu tenho sim, Fernando... Você, por exemplo...
FERNANDO (agitadíssimo): Eu o quê?
Agora, Artur avança para cima de Fernando enquanto fala.
ARTUR:
Eu sei que você é doido pra dar uns ‘cata’ na Bárbara... E só não faz isso porque é um cuzão.
FERNANDO: Você pirou de vez.
ARTUR: Admite logo que você adoraria enrabar a Bárbara, vai! E que o teu maior sonho de consumo é meter vara na minha mulher até ela dizer quero mais!
FERNANDO: Isso é o cúmulo, Artur... O cúmulo!!!
Muito calmamente, Artur volta a saborear o seu whisky cowboy.
ARTUR:
Pois eu, se fosse você, nem pensava duas vezes... Eu mandava “bala” nela! (voltando a falar bem perto da orelha de Fernando) Pode pegar a Bárbara, meu brother... Eu dou a maior força! É... Pra mim, ó, demorô! Vocês dois até que combinam... Tem a mesma temperatura, beeem abaixo de zero. (falando num tom maliciosamente debochado) Mete nela, porra! Mas mete de leve, na manha, com o pau lavado e passado... Porque a Bárbara, meu caro... Huuum... Aquela dali é toda fresca, toda cheia de ‘não-me-toque’.
FERNANDO: Eu não tô acreditando no que eu tô ouvindo!
ARTUR: É... Pode crer nisso que eu tô te dizendo, meu caríssimo assessor! A Bárbara pode ser linda, elegantíssima, sofisticada... Mas ela é um GELO na cama... Nem fazer uma boa de uma CHUPETINHA ela se atreve. Ela já me disse várias vezes que acha isso muito seboso, que chega a sentir náuseas só de imaginar qualquer coisa em sua rica boquinha que não seja um BATOM importado. Como você pode perceber, caríssimo, ninguém nesse mundo se salva. Nem mesmo a nossa Bárbara.
Artur bebe todo o whisky restante em seu copo. Depois, ele joga o copo numa lixeira. Ouve-se o som do copo se espatifando.
FERNANDO (apontando para a lixeira):
Puta merda, Artur! Desse jeito, você vai acabar com todo o estoque de copos desse comitê!
ARTUR (apático): Ai, ai, os copos... Copos de vidro quebram, não é mesmo? E que diferença os copos vão fazer na minha vida, meu caro assessor? O que interessa mesmo pra mim é o próximo GOLE, viu!
Humilhado, Fernando pega a lixeira e começa a catar alguns cacos de vidro que caíram pelo chão, numa posição de total servidão.
Artur o observa com o seu ar sempre altivo e sacana.
ARTUR:
Vai fazer a faxina agora, nobre assessor?
FERNANDO (totalmente engasgado): Eu, eu... Eu só não quero que ninguém aqui se corte...
Artur se aproxima de Fernando, olha bem no fundo dos seus olhos e tira a lixeira da mão dele.
ARTUR (imperativo):
Sem faxinas por enquanto! Por que agora você vai pegar o telefone e cuidar logo da contratação das gostosinhas pra minha balada no iate, estamos entendidos?
Na seqüência, Artur entrega o reluzente baldinho com gelo para Fernando em troca da lixeira.
ARTUR:
E não esqueça que as gostosinhas têm que ter a idade do meu whisky...
FERNANDO (ainda engasgado com as palavras): Mas Artur... Eu...
ARTUR: Nem mais, nem menos que isso... Doze anos é a DOSE certa!
Absolutamente atordoado, Fernando pega algumas pedras de gelo do reluzente baldinho e as ESFREGA na GARGANTA.
Com um bocejo de total indiferença em relação ao seu assessor, Artur SAI de cena.
Logo depois, Fernando AVANÇA na garrafa de whisky 12 anos de Artur e bebe todo o seu conteúdo no GARGALO, quase como num boquete, engolindo até a última GOTA os RESTOS de um VÍCIO sufocado!
FERNANDO (entre a paixão e o rancor): Vai, Artur... Me derrete por dentro, vai! Eu quero matar a tua sede, Artur... Toda a tua SEDE!!!
BLECAUTE TOTAL
ZS

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

CONTO sem FIM


Os meus olhos estavam completamente arregalados quando eu cheguei de madrugada...
Focados em um ponto que ninguém sabia ao certo...
Olhos firmes mas perdidos em um só lugar...
OLHOS sonâmbulos.
É... Foi isso que o zelador do meu prédio disse praquele jornal sensacionalista.
Ele também disse que eu peguei o elevador, andei pelo corredor e entrei no meu apê.
Ele viu tudo isso pelas câmeras do circuito fechado.
E disse só isso e nada mais.
Foi quando todos escutaram o meu grito no apartamento do andar mais alto...
E eu não estava mais lá...
Estava na área de lazer do meu prédio...
Bem perto daquela piscina com pastilhas cor verde-bandeira...
Estava completamente nua...
O corpo parecia relaxado...
Como numa meditação conduzida por um mantra insuportavelmente silencioso.
E todos do prédio apareceram em suas janelas...
Todos olhavam com curiosidade...
Todos queriam saber o que estava acontecendo no meu apartamento...
E também na área de lazer.
Aqueles olhares...
Os olhos de todos...
Eles me acusavam:
“Só podia ser ela, aquela estranha...”
Meus vizinhos, minha tribo, meu mundo...
Todos eles me condenando, me olhando com nojo...
Pena talvez!
Mas pena de quem? De mim?
Me vi no centro daquela área de lazer completamente despida...
Com aqueles olhos de todos ‘secando’ minha nudez...
Reprovando a minha quintessência.
O zelador, coitado, não sabia o que fazer.
Ele veio correndo ao meu encontro...
Trazia uma toalha com um forte cheiro de sabão em pó...
Uma toalha recém-lavada e secada...
Cheiro de coisa nova, daquilo que pouco foi usado...
Ele cobria a minha falta de vergonha com aquela toalha seca com cheiro de Omo.
Fiquei ali tentando rememorar o ocorrido.
Só me lembro de ter penetrado num subterrâneo.
Mas ali não era a área de lazer?
É que eu sempre gostei de visitar cavernas...
Seja lá onde for.
Até mesmo ali, na beira da piscina.
De repente, ouvi o som de uma sirene...
Um barulho interminável, repetitivo, irritante...
Homens de branco estavam me recolhendo numa maca...
Limpavam meu sangue.
Fecharam a porta da ambulância...
Luzes, barulhos, gritos...
Todos querendo sara a minha dor
Que dor?
Já não havia mais dor.
Lembro que estava em algum lugar onde podia ver tudo...
Como um clipe ou trailer de um filme trash...
Eu ali, protagonista de tudo aquilo...
Via o meu passado...
E o meu futuro?
Cadê o meu futuro, hein?
Essa história toda, onde finalmente sou a protagonista, não tem fim?
Acho que NÃO!
Não sei como acabou essa história...
Só sei que já não sinto mais dor...
E isso pra mim BASTA!!!

Anjo Mutante

Queria tanto que meu anjo mutante me carregasse para o seu fel
Tão amargo como o mel da minha mandinga
Tão doce como o seu hálito de nicotina
Tão mutilado como as suas asas...

Tô pronto pra me contaminar com a sua cura irremediável
Prontíssimo pra me embriagar em sua saliva nociva...
Quero perder meu tempo com ele SIM
Desvendar o segredo de sua mutação
Entender porque esse anjo desceu do céu só pra me tentar
VAI DE RETO!!!

Mas não agora...
Ainda temos tempo pra perder com devaneios mundanos.
Os livros de Clarice
A poesia de Rimbaud
Os filmes do Almodóvar
A ousadia de Gael
Os textos de Genet
O toque de Chico
A masturbação de Madonna
A vibe da Björk...

Nesse cenário em decomposição
Fica bem mais fácil assumir todos os pecados
Que toda a humanidade não ousou cometer.

Daí a gente surta em nossos loucos delírios
Exagera o tédio do nosso cotidiano
Esculacha as nossas mais estúpidas aberrações
Mente sobre coisas que não fizemos por pura falta de imaginação.

E entre os espaços dessas nossas intermináveis reticências...
Ponto por ponto a gente se absorve de frente e verso
Sugando um a energia do outro
Vampirizando toda essa fome canibal
Cheios de Prosas e Prozac

Pois é o caos que nos seduz
O obscuro nos deixa bem mais fortes.
E chega de inocência!
Não temos mais tempo a perder nessa claridade sem foco.

Mas aí vem o medo.
Como somos covardes!

Ah, meu anjo caído...
Eu ainda apago essa tua luz em resistência
Ainda te aprisiono no meu planeta sem gravidade
Juro que ainda sufoco esse teu arzinho blasé.

Eu quero SIM escalar esse teu corpo cavernoso
Num rapel sem cordas e sem abismos
Alcançando esse teu topo, tua zona de perigo.
Declarando guerra dentro dessa tua Faixa de Gaza
Só pra você me atingir com a tua arma biológica.

E desnudado de minha absoluta falta de vergonha
O meu despudor se abre inteiro em minhas meias palavras

Meu anjo maldito...
Vou deixar teus olhos vendados
Te deitar no meu tapete mágico manchado de sangue cenográfico
Devorar esse teu fruto permitido até o caroço
Lambuzar o teu corpo com um hidratante Vitoria’secret
Depois estimular o teu tesão com a cera da vela do meu pavio curto.

Uvas, morangos, hortelã, gengibre
Galhos de arruda e pactos de pus
Tudo isso ao som de um tango sampleado
Aí eu vou e registro os nossos gemidos naquele meu gravador portátil
Só pra mostrar pros outros os sons dos nossos corpos fechados
Sons orgânicos...
BARBATUQUES
O Olodum que despertas em mim quando miro esse teu olhar ESCANDALOSO.

Por isso mesmo, exijo agora que você me fale tudo
Mas apenas o que eu quero ouvir
Mesmo que mintas, não importa
Eu também sei transformar mentiras em orgasmos múltiplos

Só que já é um pouco tarde demais
Tô viciado nesse teu ecstase
Na tua cápsula do medo
Esse teu Viagra misturado com Red Bull...

Minha Fênix Negra já está pegando fogo
Quer te pregar alguma peça...
Te tirar todas as peças...
Te escrever várias peças
Ser tua única estréia
Repetir várias vezes a mesma cena
Até chegar ao último ato de um ato falho
Tragédias, comédias...
Não interessa a máscara.
Só me apetece aplaudir calorosamente a nossa convincente atuação
Repleta de isonomias e fugas.

Depois de tanto me perder nesse teu paraíso achado
Desço até as profundezas do teu inferno astral...
Pois é lá que eu me salvo com a tua redenção
E finalmente te aprovo e provo
Que o céu não pode esperar
Quem quer morrer de amores urgentes agora.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

MINA de SAMPA

E eu tenho certeza que o Chico fez essa musiquinha logo abaixo pra ela. Ninguém tira isso de minha cabeça ajuizada. Tio Chico deve ter esbarrado com ela no dia que essa MINA made in Berrini desviou para ela todas as atenções das vitrines de Le Bon Marché, em Paris.
Ela mesma, em carne, músculos e barriga tanquinho, a garota que saca tudo de vinhos franceses, odeia vinhos chilenos e brasileiros pq – de acordo com a sua inquestionável opinião – eles simplesmente não existem, não tem savoir-faire como ela.
E nem se atreva a discordar dela, pois quando ela fica nervosa balança os braços descontroladamente, até parece a hélice de um Learjet desgovernado querendo sair pela esquerda do Campo de Marte.
Ah, ela já foi no show do Menudo e do RBD, mas ninguém sabe disso, ninguém viu. Ela tb tava no show da Madonna e ouviu o da Björk pelo meu celular, só que ela nega de pé junto.
E ela se recusa a botar o seu bonde pra dá um rolê nos Lençóis Maranhenses. É que ela odeia frutos do mar e cheiro-verde (ou coentro, como ela mesma chama). Mas ela gosta de Guaraná Jesus. Portanto, ela tá perdoada de todos os seus não muito-poucos-pecados da carne!
Mas o melhor de TUDO: ela faz teatro, cinema, curtas experimentais e etc, só pra não morrer de tédio a beira de sua piscina quase olímpica enquanto escuta a sua coleção de K7 com sambinhas do Premeditando o Breque. Enfim... Ela é uma típica DIVA perdida nessa cidade infinita. Mas ela recusa essa personagem. Não quer ser diva de ninguém, não quer ser pop... Ela é atriz e só. E das beeeem trágicas. CLITEMNESTRA FASHION WEEK!!!
Ai, ai... Essas DIVAS... São tão temperamentais, adoram protagonizar um piti e estão sempre gritando: "Se liga, ZEN!" Contudo, o que seria de minha inocente existência sem ela, hein? Se a tia Rita é a + perfeita tradução de Sampa pro Caêzinho, eu não tenho a menor dúvida de quem é a MINHA.
Pois é, ô MINA de Sampa... Vou telefonar pro Chico agora e perguntar pra ele o que foi que vc fez com o coitado pra ele te fazer essa canção aí:

"Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual

Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
E a cada vez que o perdão
Me clama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz

Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coraçãoe quando o meu coração
Se inflama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim."

CorpOS CavernosOS

AbaiXo, alguns dados de minhas pesquisinhas pra peça “Corpos Cavernosos”, que já estou finalizando. E essa peça não fala estritamente de transexualismo, vai bem + além, fala de DESEJO.
Na verdade, o transexualismo em minha peça serve apenas como pano de fundo para a trama.
E eu tô adorando escrever.
Tah ficando incrível, pode apostar!
.

QUESTÃO TRANSEXUAL

De todas as manifestações da sexualidade, o TRANSEXUALISMO é, sem dúvida, aquela cuja a compreensão representa um dos maiores desafios teórico-clínicos.
..
O estudo do transexualismo nos obriga a repensar fundamentalmente as bases da construção da psicossexualidade e, conseqüentemente, a reavaliar o conceito de normalidade.
.
O sentimento de ser do outro sexo, que os transexuais afirmam possuir, é provavelmente tão antigo quanto qualquer outra expressão da sexualidade.
...
Da mitologia greco-romana ao século XIX, passando pelas mais variadas fontes literárias e antropológicas, encontramos relatos de personagens que se vestiam como membros do outro sexo, dizendo sentir-se como do outro sexo.
.
Aquilo que hoje – do século XX pra cá – é designado sob o termo de "transexualismo" não é próprio nem da nossa cultura nem da nossa época: o que é recente é a possibilidade de "mudar de sexo" graças às novas técnicas cirúrgicas e a hormonoterapia.
. .
O sofrimento psíquico do transexual - que pode levar o sujeito à auto-emasculação e até mesmo ao suicídio - se encontra no sentimento de uma total inadequação entre anatomia e identidade sexuada.
..
Essas pessoas manifestam uma exigência inflexível de adequação do sexo, seguida pela reivindicação de mudança do nome, e de retificação da certidão de nascimento.
..
Evidentemente, seria um grave erro acreditar que a etiologia da inadequação entre corpo anatômico e sentimento de identidade sexuada seja a mesma para todos aqueles que se dizem transexuais: a aparente semelhança entre os discursos manifestos pode camuflar uma grande diversidade de discursos latentes, senão recalcados, e falar do "transexual típico" é tão absurdo quanto falar do "heterossexual típico" ou do "homossexual típico".
..
Existe uma grande confusão no imaginário popular, mas também entre os próprios sujeitos que demandam a cirurgia corretiva, quanto a distinção entre o transexual, o travesti, alguns homossexuais e outros indivíduos que apresentam essa mesma reivindicação.
..
Muitos daqueles que se dizem transexuais reproduzem de maneira caricatural os estereótipos do homem e da mulher.
..
O pólo extremo desta perspectiva se confunde com uma caricatura trágica da mulher "fabricada" ao preço elevado de cirurgias estéticas que "feminizam" o rosto e que transformam, quando não mutilam, o corpo.
..
Acontece também que a deriva na psicose, ou o suicídio, seja a única saída possível quando o sujeito se dá conta do erro cometido – muitas vezes com o apoio dos "profissionais da saúde" – e da irreversibilidade do estado no qual se encontram: a viagem na "trans-sexual" não oferece passagem de volta.
..
No transexual não encontramos a dimensão fetichista presente no porte de vestimentas femininas, como é o caso do travesti: este último, ainda que possa ter a ilusão de que, usando roupas de mulher, ele ficará muito feminino, sabe muito bem que ele é um homem; não há discordância entre a anatomia e o núcleo da identidade sexuada.
....
Nas homossexualidades, cujas problemáticas de fundo são extremamente variáveis, a identidade sexuada do sujeito não é questionada.
...
Fato digno de nota: os transexuais recusam energicamente a serem confundidos com homossexuais. Segundo eles, sua sexualidade é, definitivamente, heterossexual, o que é coerente com a identidade sexuada que dizem possuir.
..

Desde a primeira cirurgia de redesignação sexual oficialmente comunicada – em 1952, na Dinamarca – temos assistido a uma verdadeira "revolução cultural". Tanto na Europa, quanto nos EUA, o fenômeno transexual tem tomado uma certa envergadura e, aos poucos, os transexuais têm sido mais ouvidos em suas reivindicações: em alguns países europeus as despesas médicas da cirurgia de redesignação sexual correm por conta do governo; os transexuais ocupam diversas posições na sociedade, publicam suas bibliografias, obtém a mudança de Estado Civil, etc. Na Holanda existem associações, consideradas de utilidade pública, que oferecem orientação aos sujeitos que se sentem transexuais, para que eles possam encaminhar melhor suas demandas. Além disto, estas associações garantem a (re)adaptação social do sujeito, através de contatos com a família dos transexuais e de visitas à seus locais de trabalho. Tudo isto reflete um esboço de reconhecimento social deste fenômeno ainda que um tal reconhecimento coloque profundas questões éticas e jurídicas.

No Brasil, a inexistência de uma legislação médico-legal específica sobre o assunto condena muitos transexuais a uma vida na clandestinidade. De fato, pode-se facilmente imaginar as dificuldades que estes sujeitos têm que enfrentar nas situações cotidianas mais banais – que, por vezes, terminam na delegacia de polícia – onde eles devem mostrar documentos de identidade nos quais a fotografia, o nome e o sexo estampados estão em total desacordo com a aparência daquele, ou daquela, que os apresenta. Muitas vezes, esta situação é agravada pelos resultados catastróficos de intervenções cirúrgicas fracassadas que deixam seqüelas irreversíveis. No plano teórico, não há um consenso entre os pesquisadores quanto a gênese do transexualismo, e as explicações variam desde uma forma de psicose até a um fenômeno ligado a fatores sócio-culturais. As propostas terapêuticas são igualmente diversas: terapia psicanalítica, comportamental, tratamento psiquiátrico e intervenção cirúrgica. Talvez, a única certeza que temos é a de que, em se tratando do transexualismo, toda prudência é recomendada e qualquer forma de ajudar a estes sujeitos, deverá levar em conta a particularidade do trajeto transexual de cada um.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

En Passant...

Por hoje é só! Talvez passe por esse BloGuete nesse feriadão independente. Mas, antes de postar novos textículos chamuscados, acho que meu bonde vai dar um rolê no melhor estilo bate-e-volta pelas praias do litoral norte com a minha razão de insônia – se fizer sol no feriadão, é claro, pois sem sol não rola. Já posso renovar o meu bronze, pois a minha tattoo não tah + zoada. Ou seja, o mar tá pra peixe... E a minha maré tá altíssima! Pois como diz o Paulinho: “não sou eu que me navega, quem me navega é o MAR”.