quarta-feira, 9 de abril de 2008

DESEJO + PECADO = BRANDO

Personagem da Semana:

Stanley Kowalski

Foi com aquela camiseta branca, apertadíssima no tórax definido, suado, melado de sangue e carregando carnes na costa, com o seu jeitão marrento, totalmente casca-gossa, que o maior astro do cinema conquistou definitivamente a nossa imaginação.
Era um Marlon Brando bruto, viril, no auge da beleza e da sensualidade.
E ainda tinha o seu grito.
Quem ouviu aquele grito jamais esqueceu.
Como era mesmo o GRITO dele?

“STEEEEEEEEELA!!!”


Estou falando dele, ninguém + que o Brando, no filme que – pelo menos no Brasil – recebeu o sugestivo nome de “Uma Rua chamada Pecado”. Filmaço que foi baseado na incrível peça teatral do Tennessee Williams: “Um Bonde Chamado Desejo”.

Pecado, desejo, rua, bonde... Ah, tanto faz!

Brandon é bem maior do que tudo isso.

E teve uma parceira a altura de seu talento: Vivian Leigh, como a neurastênica Blanche DuBois, uma das personagens + fascinate da dramaturgia mundial, aquela mesma que sempre dependeu da bondade dos outros.

Blanche e Stanlay: "A Streetcar named Desire"

Vivian tb se tornaria inesquecível na pele da intempestiva e caprichosa Scarlett O'Hara, papel que a consagrou de verdade.

Como Blanche, ela apenas serviu de estímulo pra toda a voracidade de um indomável e irresistível Stanley.

Até hoje, tem gente que passa mal ao assistir esse filme. E tudo por culpa dele, o tal do Marlon.


Pois é, criatura... Marlon Brandon, como nenhum outro, soube imortalizar o Stanley Kovask.

Bonde? Rua? Quem se importa? O que interessa é o desejo, é o pecado... É Stanleu, é Brando!

domingo, 6 de abril de 2008

Vamos COMER Caetano?

"Você traz a Coca-Cola, eu tomo
Você bota a mesa
Eu como, eu como, eu como, eu como...
EU COMO VOCÊ!!!"


Um Caetano bem na fita, desmistificado, sem aquela coisa de pedestal, de rei da cocada preta... Enfim, um Caetano de verdade, com aquele seu jeito naturalmente cosmopolita de ser, mas de quem nunca perdeu a essência de sua Santo Amaro natal.

"Coração Vagabundo", documentário do bonitinho do Fernando Grostein Andrade é muito MASSA, envolvente, fofo mesmo. Eu vi ontem, no encerramento da edição 2008 do "É Tudo Verdade". E se eu já gostava do Caê, fiquei de quatro de vez.

Eu quero COMER Caetano.
Já me sinto!

"Come as you are, as you were,

As I want you to be

As a friend, as a friend, as an old enemy..."


O documentário começa num show que o Caê fez no Hotel Fasano. Depois, o acompanha em sua turnê "A Foreign Sound" pelas duas cidades + absurdas do planeta: NY e Tókio.
É cheio de ceninhas bacanérrimas, como a da japa querendo tirar uma soneca no metrô de Tóquio. Ou quando um taxi driver de NY diz que, na voz de Caetano, finalmente conseguiu entender a letra da canção "Come As You Are", pq com o Kurt Cobain era praticamente impossível.
Tb rola até uns depoimentos de uma moçada que já não precisa provar + nada, tipo o Almodovar e o David Byrne, do Talking Heads. Esses feras rasgam a seda do back em torno da figura do Caê.
Adorei aquela coisa do Caetano brincando de BOQUETE Show, enquanto ajeitam o ziper dele antes do seu show no Fasano.
Já no Carnegie Hall de NY, foi bacanérrimo mostrar a Gisele Bundchen pagando pau pro Caê. E a tal da Paula Lavigne - casada com o Caê na época - cagando pra babação de ovo da umber model. Paulinha até zoa da situação, dizendo que, se é pra levar um chifre, que a coisa seja de ouro, com um chifre feito pela top número UM do mundo. Tb acho!

Antes desse show, vemos um Caetano nervoso, um artista vindo de um país do dito Terceiro Mundo (já não caiu?) que vai encarar "O" templo musical da dita 'capital do mundo'. Caê fica preocupado com a voz, quer ficar calado e sugere pro Fernando que ele faça um documentário tipo um filme do Ingmar Bergman, com longas seqüências de cenas silenciosas, com a câmera paradinha, lá no canto. É hilário!

E por falar em cinema, esse documentário mostra uma cena muito GENIAL. E é com o cineasta Michelangelo Antonioni se emocionando com a sua própria obra (o filme "Profissão: repórter") , enquanto a sua esposa Enrica sugere uma viagem pra Bahia. Juro que meu coração fez biquinho pra não chorar.


O genial Antonioni


Entre várias cenas que o Fernando fez no Japão, eu adorei aquela cena onde o Caê mostra a paisagem que ele tem da janela de sua suíte master. Ou seja: nada, tudo muito diminuto, compacto, a cara do Japão.

Depois, Caê diz que ficou constrangidérrimo na Alfândega do aeroporto de Tokio, com uns japas revistando a mala dele cheia de cadernos com desenhos de machonha e armas de fogo. E os caras ainda pegavam no pau dele. Como o próprio Caê disse: "que coisa mais chata aquele cara ficar pegando no meu pau. Se eu pelo menos o conhecesse". HAHAHA... Muito bom, muito bom!


Tb curtir as declarações que o Caê faz sobre religião e o tempo. Pra ele, esse negócio de religião é só papo de gente que quer dominar o outro através de um discurso obscurantista.

Sobre o tempo, Caê diz nesse documenário que não se importa em envelhecer. Até pq o velho de hoje em dia é bem diferente da imagem que se tinha no passado, aquela coisa caquética, sem Viagra pra salvar as tardes livres. "Prefiro ser e estar vivo. Eu sou solar e quero ser feliz", poetiza Caê.

E sobre a polêmica em torno da melhor música do mundo?
Aí Caê se revela NADA bairrista, sem aquela brasilidade cafona, verde-amarela, ultrapassadíssima. Caê é coerente. Sabe que pertence a um país subdesenvolvido, que não valoriza a sua arte, que não procura um rumo certo e vai levando as coisas do jeito que estão. E, evidentemente, um povo que não valoriza a sua própria cultura não pode nem se dar o luxo de querer se comparar com a produção artística de uma potência mundial que há muito tempo investe pesadamente e intensamente em CULTURA sim, senhor.

Ah, como já era de se esperar, a trilha desse documentário tá do caralho. Vai desde a canção que dá título ao filme, "Coração Vagabundo", até o "Cucurrucucu Paloma", com aquela cena incrível do Caetano cantando pras mulheres do Almodovar no filme "Fale com Ela".

Pois é... O menino bonito Fernando Grostein Andrade arrasou nesse documentário, mandou suuuper bem. Quero mais filminhos desse moleque. Meu apetite é VORAZ!

E o Caetano, hein? No final ele diz que não é e nem quer ser um fodão. Mas tio Caê é FODA sim, mesmo sem querer. Ele é um prato farto e fim de papo. Nossa GULA agradece!

"Vamos comer Caetano

Vamos devorá-lo

Degluti-lo, mastigá-lo

Vamos lamber a língua..."

Afogando-me

Neste sabadão, ontem, eu fui conferir a versão do Antunes Filho para o texto de Nelson Rodrigues + concorrido na cena atual de Sampa: "Senhora dos Afogados", óbvio!
Caaara! Podem chamar o Antunes de tudo: de jurássico, de highlander, de boçal, de atirador de cadeiras em cima das inocentes criaturas do CPTzinho... Mas que o tiozinho manda bem... Ah, isso até os que morem de inveja dele têm que concordar.

"Tenha pena dela, mamãe, ó tenha dó..."

A montagem, em cartaz no Sesc Consolação, tá elegantíssima, econômica e bem técnica. No palco, apenas algumas cadeiras, uma luz na medida certa, figurinos num estilão meio dark (quase góticos), piano no canto do palco e, óbvio, óóótimos atores (alguns técnicos d+, é verdade).
Angélica di Paula faz uma Moema de assombrar. Essa é + uma atriz que o Antunes pode se gabar de ter lapidado, como tantas outras. Pra mim, foi a grande revelação dessa peça. Ela já entrou na minha listinha VIP de atrizes preferidas. Azar o dela de ser tão boa.
Tb tem o tal do Lee Thalor, que já arrasa no nome, né. Já tinha visto o cara na "Pedra do Reino". E, mais uma vez, esse goiano deu show. Que voz, hein? E que sarcasmo, ironia, domínio da palavra. Chapei na atuação desse carinha. Muito bom, muito bom.
Pelo menos, nesses dois, as 'cadeiradas' do tio Antunes andam fazendo efeito... hehehe.
Pendurar as chuteiras? Ainda Não... E dá-lhe cadeiradas!!!

Outros detalhes cênicos e algumas figurinhas em cena nesta peça eu até que curti, como:

As putas do cais cantando aquela irritante musiquinha: "tenha pena dela, mamãe, ô tenha dó... Ela é filha-de-santo, São Benedito tenha dó..." A coisa é tão irritante que eu até gostei. Adoooro coisinhas tipo trash (nem todas, vai);

As coroas de flores dos vizinhos futriqueiros (hilário);

A PLATAFORMA altíssima do vendedor de pentes, interpretado pelo folclórico Geraldinho. Incrível! Morri de inveja. Um autêntico salto duplo twist carpado. Quero um par daqueles só pra mim.

Tem outras coisas, mas eu não lembro agora. Muita informação, véi!


O resto é tudo muito técnico, com aquele jeito de falar meio modulado (parece até que o povo do Macunaíma foi acometido por uma crise de bulimia braba) e muito tambor, coreografias pra cá, corre pra lá... Um verdadeiro bloco na rua de vizinhos mal-fodidos.
Nem sei se curti as tais vizinhas do Antunes. Ou até mesmo o choro desavergonhado dakela velhinha. Às vezes, eu achava muito técnico, outras eu achava incrível. Não sei. Não sou crítico de teatro. Sou dramaturgo (ui!). Quem era crítico era o Sábato Magaldi, a quem o Macunaíma dedica esse competente espetáculo. O cara merece mesmo. Macunaíma arrasou!

E o Jô estava na platéia. Ele mesmo, o gordo global. Será que ele tb tá pensando em montar o "Senhora dos Afogados"? Nãããããããão, Jô, mil vezes NÃO! Chega de afogamento! Já nos basta o mosquitinho da Dengue. E eu não aguento + tanta "Senhora dos Afogados" espalhados em cada canto dessa cidade intransitável, né. BASTA!

"Não adianta me ver sorrir, espelho meu riso é seu
Eu estou ilhado.
Hoje não ligo a TV
Nem mesmo pra ver o Jô"

Arte pra CONSUMO


Não é tudo do Takashi Murakami que eu curto.


Mas tem umas coisinhas dele que eu acho incríveis!



E ele tá com uma exposição bacanérrima em NY.



Alguns o odeiam, simplesmente pq esse japa é feito pra consumo e não tem o menor problema com isso. Até pq as suas 'pirações' estão estampadas em bolsas da LV.


É, broW! Akelas japonesinhas - que passam fome e até se prostituem em Tokio só pra comprar uma bolsinha dessas - vão pirar o cabeção. Pelo menos elas vão rodar as bolsinhas com estilo, né. Pq as nossas putas da Augusta continuam exibindo as suas LV made in 25 de Março.

Japa fashionista?

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Nelson MANIA

"É preciso ir ao fundo do ser humano.
Ele tem uma face linda e outra hedionda.
O ser humano só se salvará se,
ao passar a mão no rosto,
reconhecer a própria hediondez."


Caaaara... DESAFOGUEM o NELSON!!!
Todo mundo nessa cidade resolveu encenar "Senhora dos Afogados".
Tem a montagem do jurássico Antunes Filho, uma outra versão feita por uma galera lá pelas bandas largas do Centro Cultural da Vergueiro e, só pro Nelson BOMBAR de vez, ainda tem a aguardadíssima versão da trupe do Oficina, do tio Zé Celso, que deve estrear logo mais... Ufa!

Uma verdadeira OVERdose de Nelson.

Parece até um surto de DENGE hemorrágica.

Senhora dos Afogados versão Macunaíma


Mas tio Nelson nunca é d+!


Pode deixar esse mosquitinho mergulhar no teu balde de água parada que, pelo jeito, não vai faltar gente querendo se contaminar com essa modinha teatral da vez.
E dá-lhe Nelson!!!

E olha que 2012, ano do centenário do nascimento do dito 'anjo pornográfico', ainda tá meio longinho, né.

Sem falar que, ainda no segundo semestre deste ano que já tá a mil, rola a versão tipo David Lynch pro "Vestido de Noiva" da moçada antenadíssima dos Satyros.

E vc acha pouco, broW?

Então confira "As Noivas de Nelson" e "17 X Nelson", tb em cartaz por aí... É Nelson que não acaba mais.


Senhora dos Afogados versão que tá rolando lá na Vergueiro

E qual será a próxima modinha na cena teatral da cidade intransitável, hein? Será que vão ter a ousadia e a coragem de arriscar em textículos de novos autores, uma coisa assim... Ah, sei lá! No melhor estilo ZENcensura?
Tá na hora desse povo se desafogar da mesmice e apostar em novos mergulhos, não achas?

It's All True

Walk in silence,
Don't walk away, in silence.
See the danger,
Always danger,
Endless talking,
Life rebuilding,
Don't walk away.


Pois é, broW... A versão 2008 da mostra de documentários "É Tudo Verdade" tá super musicada, né?


Tem documentário sobre o tio Caê, sobre o Wilson Simonal, sobre o Waldick Soriano, o Joy Division... Enfim, até domingo, tem maloqueiro levando o seu iPod pra vê se consegue baixar alguma coisa nessa mostra cinematográfica!!!

"MEU CORAÇÃO NÃO SE CANSA
DE TER ESPERANÇA
DE UM DIA SER TUDO O QUE QUER"


E quem andou baixando no Cinesesc, no dia da exibição do "Coração Vagabundo", foi a doce Sandy Leah (Grease + Star Wars?). Foi um festival de fashs, uma agitação por todos os cantos... Bafão, brow!
Só sei que os candidatos a cineastas e intelectuais de SEBO ficaram emocionadíssimos com a presença da criatura ex-sertaneja e agora candidata a musa do jazz. Todo mundo querendo tirar fotinhas com Sandy, babar o ovo da bonitinha, tocar nela (ui!).
Quem diria, a mocinha comportada parou a Augusta!


Mas a coitada não tem culpa, né, de ser aquela coisinha sempre risonha, sorrisinho Colgate na boca, tipo paçoquinha diet made in Campinas. Ai, ai, meu colesterol!



E eu só queria ter um cartão de crédito igualzinho ao dela. Mas eu chego lá!


Que cocê foi fazer no mato, Maria Chiquinha?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

NoiTES DE CabíriA

Personagem da SEMANA:

"Pobre menina, não tem ninguém"




Adaptar o Personagem ao Ator


Se penso nos filmes que rodei com Giulietta, posso dizer que a construção de minha personagem é baseada inteiramente nas suas possibilidades de atriz. Em geral, quando penso em uma história, já sei com bastante exatidão quais serão os intérpretes de meus personagens principais. Por exemplo, Os Boas Vidas foi escrito sob medida para Sordi, para Trieste, para Interlenghi, para meu irmão...


Em suma, eu gostaria de dizer isso: que jamais cometo (e talvez esteja aí o único sistema que se pode identificar no meu método de trabalho) o erro – pois isso me parece um erro – de adaptar o ator ao personagem, mas faço sempre o contrário, o que significa que me esforço para adaptar o personagem ao ator. Nunca peço ao ator um esforço de interpretação particular, ou seja, nunca me obstino a fazê-lo dizer meus diálogos num dado tom.
O caso de Giulietta interpretando Gelsomina é o único exemplo em que obriguei uma atriz que tem um temperamento exuberante, agressivo, até pirotécnico, a fazer o papel estilizado de uma criatura retraída de timidez, com um clarão de razão e de gestos sempre no limite da caricatura e do grotesco. Isso me demandou um esforço muito grande e nesse caso particular, Giulietta, contrariamente ao que ela fez por Cabiria, precisou de um esforço de interpretação muito grande, porque Gelsomina é uma “interpretação” enquanto “Cabiria” estava muito mais na sua afinação, com sua agressividade, seu temperamento quase um pouco alucinado, sua prolixidade.

É sempre difícil remontar justo à fonte da inspiração, mas eu poderia contar a esse propósito como nasceu o fim de Noites de Cabíria. Ele não nasceu apenas como fim, mas também como a idéia geradora de todo o filme.

No fundo, essa é uma atitude muito inumana da parte de um autor perante seus personagens. Portanto, investindo toda minha boa vontade (como se eu tivesse enfim resolvido dizer a meu personagem: “Você compreendeu bem, você fará isso ou aquilo”), me perguntei: “O que vou lhe dizer?”. E depois de pensar sobre isso durante muito tempo, percebi que não saberei o que lhe sugerir, porque não sei o que dizer a mim mesmo. Assim sendo, aos meus personagens, que são sempre tão infelizes, a única coisa que poderei oferecer será minha solidariedade: e assim poderei, por exemplo, dizer a um deles: “Escuta, não posso te explicar o que não sei, mas, em todo caso, te amo o suficiente e te ofereço uma serenata”. E assim, para Noites de Cabiria, pensei: quero fazer um filme que conte as aventuras de uma infeliz que, a despeito de tudo, espera confusamente, ingenuamente, por melhores relações entre os homens, simplesmente melhores relações; e ao fim do filme quero lhe dizer: “Escuta, fiz você passar por todo tipo de desgraça, mas você me é tão simpática que quero compor-lhe uma pequena serenata”. E depois, sobre essa idéia talvez um pouco ingênua, imaginei uma cena. Tratava-se de uma mulher, de uma personagem infeliz que, ao fim de uma aventura ainda mais terrível que as outras, deveria perder de maneira absoluta e definitiva sua confiança na humanidade que a rodeava.


E então me perguntei: por que essa personagem, num dado momento, não pode se convencer de que há alguém que lhe diz gentilmente e com simpatia: “Você tem razão”? E assim essa personagem se tornou Cabiria, e suas aventuras se tornaram aquelas de uma prostituta que vive como um pequeno camundongo num meio aterrorizante, continuamente esmagada pela realidade, mas que atravessa a vida com inocência e aquela misteriosa confiança. Ao fim do filme eu a faço encontrar um grupo exuberante de pessoas bem jovens, de uma humanidade ao limiar da vida, que gentilmente, debochando um pouco mas com candura, exprime-lhe sua gratidão cantando uma canção. Foi dessa idéia que, finalmente, nasceu todo o filme.


No que concerne minha colaboração com Giulietta, posso dizer que Giulietta não é somente a intérprete de meus filmes, mas que ela é também a sua inspiradora; não entendo por isso que a ajuda que ela me traz seja semelhante àquela de Pinelli, de Flaiani, de Rondi, quero dizer inspiradora num sentido bem mais profundo, à maneira de uma musa. Isso equivale a dizer que a vida com Giulietta – o que penso disso, a idéia que faço dela, do que pode ser sua humanidade, do que pode ser seu sentido na minha vida – me inspirou A Estrada da Vida e Noites de Cabiria.


Federico Fellini(Publicado em Cahiers du Cinéma nº 84, Junho/1958; traduzido do francês por Luiz Carlos Oliveira Jr.)