quarta-feira, 16 de junho de 2010

“Steeeeeeeeeeella!!!”

Um FILME marcante no CINEMA por ZEN SALLES:





















Como um amante FIEL de CINEMA, incontáveis são os filmes que fazem parte do meu GENOMA cinematográfico. Mas, quando comecei a ter consciência desse meu vício incurável por salas de projeção, eu lembro que tinha uns 13 anos de idade e foi exatamente em um festival de filmes inspirados em grandes obras literárias e teatrais organizado por minha escola – evangélica, diga-se de passagem – que eu me deparei com um diabólico Marlon Brando encarando Vivien Leigh em um filme assinado pelo Elia Kazan.

Com o sucesso nos palcos da peça teatral de Tennessee Williams, “Um Bonde Chamado DESEJO” logo teve uma adaptação cinematográfica em 1951. No Brasil, o filme recebeu o sugestivo nome “Uma Rua Chamada PECADO”. E todo mundo já sabe o sucesso que o filme fez tanto lá fora como aqui, além de todos os prêmios que ele conquistou. Sem dúvida, uma filmografia icônica da chamada Sétima Arte.

Mas, voltando aos meus 13 anos, lembro que fiquei absolutamente hipnotizado com a atuação de todo o elenco, atores em POSSESSÃO, completamente dominados pela intensidade dos seus personagens. Logo na primeira cena, uma frágil Blanche DuBois chega na estação de Nova Orleans e já precisa da “bondade de um estranho” para obter informações de como chegar até o lugar onde mora a sua irmã Stella.

Algumas cenas depois, vemos um Stanley carregando pedaços de carne em sua costa, a personificação perfeita de um brutamonte em estado puro. Não demora muito para que toda a fragilidade confusa de Blanche se confronte com a brutalidade intempestiva de Stanley.

Inesquecível a cena de Stanley gritando “Steeeeeeeeeeella!!!” e aquela mulher descendo as escadas, ardendo de tesão por seu homem. Não me lembro de uma cena mais sexual sem apelar para a nudez em toda a história do cinema. Só o olhar encharcado de desejo do casal é mais que suficiente para dar o recado.

Talvez por causa da própria origem teatral da trama, Elia Kazan praticamente filmou a peça de Tennessee Williams. Até porque todos os elementos utilizados nessa narrativa cinematográfica servem para intensificar os conflitos que Blanche DuBois já vem carregando antes mesmo do filme começar, pois tudo no filme gira em torno dela, que é uma das personagens femininas mais bem construídas (ou o correto seria dizer desconstruída?) da história da dramaturgia universal.

Sem falar que, nesse filme, os diálogos são tão importantes quanto a própria ação das personagens. Ou, como já se disse e se repetiu tantas vezes por aí: “Um Bonde Chamado Desejo” não passa de uma peça filmada. Nada apela para o explícito nesse filme, mas tudo nele fica tão patente. A cena do estupro, por exemplo, é resolvida com a imagem de Blanche refletida em um espelho espatifando.

E é justamentente por causa de suas interpretações viscerais, por sua direção precisa e, principalmente, pela sua dramaturgia tão sensível e ao mesmo tempo vigorosa, “Um Bonde Chamado Desejo” faz parte de minha coleção de cabeceira, um filme que sempre vejo e revejo com a mesma garganta entalada, os olhos hipnotizados e o prazer da descoberta de um garoto de 13 anos.

























*** Esse texto foi desenvolvido para a Oficina de Crítica de Cinema, ministrado por Christian Petermann (Revista SET, Rolling Stones, Folha de São Paulo e etc.)


Comentário do Christian sobre o texto acima:
“Texto muito bem desenvolvido e amarrado. Parabéns!”

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Univitelinos na área???

Quinta passada, dei um rolêZão básico aqui na FAAP pra sacar a eXposição dos GÊMEOS do grafite.


E todo mundo já sabe da minha obsessão quase seXual por UNIVITELINOS!!!

Mas sobre a eXposição dos tais gêmeos grafiteiros, eu quero diZer que nem é de hoje que eu me amarro no trampo desses caras, sempre os achei muuuito MASSA.

Toda vez que passo em frente daquele muro gigantesco que o Kassab mandou apagar e – depois de ficar sabendo do sucesso dos Pandolfo na gringa – voltou atrás e pediu pra eles grafitarem de novo, eu piro horrores naquelas criaturinhas AMARELADAS que já viraram uma marca inconfundível dos Pandolfo...

Aliás, é só se deparar com qualquer grafite dos gêmeos espalhado pelos muros dessa cidade surtada pra ir logo identificando o estilo dos caras...

E eu pago mó PAU pra quem consegue imprimir uma MARCA na sua ARTE, uma qualidade que poucos possuem, pois a maioria infeliZmente ainda prefere copiar...

Mas, como já andaram diZendo por aí: “a cópia reproduz, o original DESAFIA”!

Só que ESTILO ninguém copia, parceiro...

E quando acontece ao QUADRADO – ou seja, entre gêmeos QUASE siameses, hehehe – a coisa é + GENIAL ainda!




















Uma veZ eu li na BRAVO! que Gustavo & Otávio Pandolfo, quando eram guris, participaram de um concurso de ilustração numa escola do Cambuci...

Eles estudavam em turmas diferentes e um queria surpreender o outro com o seu trabalho escolar...

Mas um não disse nada pro outro e, mesmo assim, as gravuras dos dois saíram como eles...

Ou seja: IDÊNTICOS!

Agora, me diga se isso não é coisa de univitelino com tendências siamesas??? HAHAHA!!!

E nessa eXposição dos GÊMEOS da FAAP, a coisa não se resume apenas ao grafite.

“Vertigem” tem uma pegada quase psicodélica, algumas obras te deixam levemente “chapado”, tem um mural imenso lá que eu juro que me proporcionou sensações infinitas (ui!).

Eu curti muitíssimo aquela mulher da BURCA (outra obsessão minha, BURCA), pirei horrores com a frase que fala da ferrugem no sorriso e, tb, com aquela barca que vc bate palma dentro...

Tb tem o barraco tocando uma música muito foda de boa, aliás essas alegorias enormes do gêmeos me lembraram - não sei a raZão - as “viagens” do Joãosinho Trinta, o carnavalesco maranhense da Beija-flor de Nilópolis, artista de mão cheia assim como Gustavo & Otávio, que não pode cair no esquecimento.





















Ah, não posso esquecer daquela obra dos caras com a frase que diz mais ou menos que “lá fora tá muito chato”, algo eXtremamente irônico e – quem sabe? – endereçado aquela moçadinha que acha que grafite é uma arte própria das ruas, feita pra ficar nesse “lá fora”, bem longe das galerias de artes, museus & afins.

Enfim, eu nem sou tão maluco assim pra entrar nessa polêmica que não me pertence...

Até pq eu acho que arte é arte e não interessa onde ela aconteça ou se manifeste, se dentro ou fora...

O que importa é que ARTE aconteça!!!

Tem +: devo confessar que eu adoraria ter a cenografia da minha peça SIAMESES assinada pelos GÊMEOS grafiteiros...

E com os figurinos assinados pelas GÊMEAS, elas mesmas, as tais estilistas do Fashion MOB... AUAUAUAUAUAU!!!

Por falar em univitelinos e taiZ, a cirurgia de separação das SIAMESAS bengalis Trishna & Krishna - que durou 25 horas - foi um SUCESSO!!!



















Vida LONGA pra essas SIAMESINHAS fofas do tio ZeN Xelar...

E, obviamente, vida LONGA tb pros meus SIAMESES que, aliás, estreiam proXimamente... Uêbaaa!!!

sábado, 7 de novembro de 2009

Ai, que PREGUIÇA!!!

Semana passada, eu vi no Park da Independência um daqueles espetáculos mágicos, que conseguem te hipnotizar do começo ao fim e que, no final da peça, vc pensa:

PutZ... Eu realmente tô faZendo o que QUERO, tenho um puta PRAZER de faZer parte desse mundo, definitivamente eu sou um carinha de muitíssima SORTE, tralálálálá!!!

O tal espetáculo era "Till - A Saga de um Herói TORTO", do Grupo GALPÃO, a melhor trupe de teatro das Minas Gerais, que depois do inesquecível "Romeu & Julieta" consegue surpreender + uma vez com esse espetáculo que podemos chamar de... De... De... PutZ, sem palavras, caraaa!!!

Saca só as fotinhos que eu tirei do tal Till:


http://www.youtube.com/watch?v=8H3t0Z0DZW8&feature=related

Com o Till, foi impossível não lembrar do Macunaíma...

Assim como o nosso antiherói braZuca, Till é a PREGUIÇA encarnada, metido a esperto, fanfarrão & sempre se dá bem no final das contas.

E a vibe desse epstáculo é realmente incrível.

O texto é do Mestre Luís Alberto de Abreu, com aquela pegada NARRATIVA que só o tio LAA domina!

E nesse espetáculo do Galpão, tio LAA abusa especialmente de personagens meeega absurdos, grotescos, insanamente deliciosos (eu me esbaldei, adoooro essa proposta FREAK, acho que todo mundo tb já sacou essa minha preferência teatral, AUAUAUAUA).



E que os atores do GALPÃO são FERAS, isso todo mundo que curte teatro de verdade tá cansado de saber...

E o que é aquela atriz que interpreta o Till, a tal da Inês PeiXoto???

Ela é simplesmente M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.A!!!

Bueno, pra falar a verdade, a Inês é a cara do Galpão...



A cena do nascimento do Till é do caralho, velho!

Caaaara, é inacreditável ver a Inês saindo de dentro da veterana Teuda Bara, o Park da Independência inteiro aplaudindo a cena em pé, eu quase surtando, émocionado pela qualidade teatral daquela cena, braVo, braVíssimo!!!

E as bricadeiras "interativas" dos atores com a moçada da plateia: mega atuais, bem-sacadas, rápidas, megaaa engraçadas...

Saí do Park da Independência putamente feliZ!!!

Nasci de NOVO!!!



Vida longa pra trupe do GALPÃO!!!


BraVo, braVíssimo, TILL!!!

Assim CAMINHA o teatro braZuca???


Um país sem MEMÓRIA vive assim, como o velho TBC... Totalmente em RUÍNAS!!!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Alguém quer CARONA pra MISSA???

Um caso de PEDOFILIA intriga a cidade de Hamelin, em especial o rigorosíssimo delegado Monteiro.

Toda a imprensa está ávida pra apedrejar o grande culpado.

Mas não há provas contundentes contra o único suspeito, há apenas a palavra de um MENINO meio perturbadinho das ideias.


É essa a trama da peça “Hamelin”, do dramaturgo espanhol Juan Mayorga, que eu fui convidado pra assistir num desses finais de semana aê.

Protagonizado por Vladimir Brichta, essa peça se sustenta na ótima interpretação do eXcelente elenco de atores, todos eles com uma longa estrada na cena teatral, que ora interpretam personagens adultos, ora personagens infantis...

Mas a trama com essa pegada meo "policial", apesar de bastante envolvente, não é o ponto forte da peça.

O que me pegou mesmo foi a estrutura do texto, a forma como a peça é “montada”.

Tenho prestado muito a atenção nessa parte da estrutura textual de uma peça, até por motivos evidentes, já que tb sou dramaturgo e tenho pesquisado muito sobre a minha arte (agora, com o Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council bombando na minha vida, essas minhas pesquisas só se intensificaram).

E depois de ter lido no prefácio do livro “Para Trás e Para Frente”, do David Ball (livro essencial pra quem pratica a arte teatral), Michael Langham fala de um “hábito” que adquiriu quando trabalhou com um dos seus mestres no Birminghan Repertory Theatre, de Londres, e que consiste em imaginar a peça de volta ao seu texto original no exato instante em que ela está se desenvolvendo no palco (sem nunca, no entanto, ter lido o texto da tal peça antes).

Eu tenho pirado em cima dessa vibe, me perco percebendo a estrutura do texto enquanto assisto uma peça teatral e, tb, no que o dramaturgo colocou nas RUBRICAS que, por ventura, tenham sido ignoradas ou adotadas pelo diretor.


E o + bacana em “Hamelin” é que as rubricas do texto entram literalmente em cena.

E isso não é uma sacada do diretor dessa montagem, o André Paes Leme.

Tá lá, na própria estrutura do texto do Juan Mayorga (eu nunca li essa peça mas foi isso o que contou o Vladimir Brichta pra mim e pra outros amigos em comum após esse espetáculo em cartaz lá no CCBB).

Ou seja: a RUBRICA é um elemento fundamental nessa peça, entrando em cena, afirmando & reafirmando a AÇÃO das personagens.

Aliás, quase todo o elenco faz a vez do COMENTADOR, que é uma espécie de narrador que vai contando o que rola na rubrica...

Eu saquei isso quando um dos tais comentadores se refere ao TEMPO do teatro.

Achei muito legal essa presença da rubrica, ela sendo dita, destacada e até explicada para a plateia, às vezes até de uma forma didática d+.

Mas acredito que, por isso mesmo, essa coisa meio didática do texto só torna o espetáculo + vibrante, estabelecendo um diálogo direto com o espectador, quebrando a tal da “quarta parede”, enfim...

E até dá uma certa originalidade pra peça, acrescenta um algo a + em uma arte onde quase tudo já foi dito, feito e experimentado.


Os diálogos do texto são muito bem construídos, Juan parece dominar essa dinâmica, pois ora ele prende uma informação, ora ele solta, mantendo uma curiosidade de quem assiste e vai se envolvendo aos poucos com essa proposta investigativa da peça.

Tb há uma ironia desconcertante em torno de verdades construídas, o delegado apela pra uma guerrinha de nervos em suas acareações, fica repetindo sempre as mesmas perguntas, típico de quem quer alcançar uma verdade em cima daquilo que ele acha ser a verdade absoluta.

E, no final, vem a pergunta que não se cala nem a pau, Juvenal: mas, afinal de contas, qual é a verdade mesmo? As verdades são ou não são construídas ao gosto da freguesia? Ou simplesmente temos o poder de construir verdades em cima de mentiras que achamos convenientes e bem + fáceis de digerir?

Com essa peça, impossível não lembrar do finado Michael Jackson e daquela clássica história da Escola de Base aqui de Sampa, que marcou o noticiário braZuca nos Anos 90, onde neguinho jogou pedra na Geni antes de possuir qualquer tipo de prova sobre a autoria do crime e que, dias depois, tudo foi desmentido e os tais acusados - que tiveram suas vidas destroçadas durante o processo - foram inocentados.

Parece até que existe um prazer sádico em algumas pessoas de condenar os outros sem prova alguma.

Mas Freud deve explicar, pena que ele e o MJ já bateram as tamancas e devem estar curtindo horreres seus caldeirões tripleX lá naquele condomínio fechado e vipérrimo, o tal do Hades Village.


Voltando pra peça em questão, eu curti muito as luminárias espalhadas pelo cenário, que dão todo um CLIMA pra peça...

Os próprios atores acendem e apagam conforme a atmosfera da CENA, uma sacada muito bem bolada.

E a cenografia é minimalista, pouca coisa em cena, a peça se firma nas excelentes atuações.

Aliás, atores são muito bons mesmo, com destaque pro tal de Oscar Saraiva, que interpreta pai e filho, mandando muitíssimo bem principalmente no papel do menino que, segundo as investigações do delegado Monteiro, sofreu o tal abuso sexual de um pedófilo que sempre lhe oferecia carona pra MISSA.

No mais, “Hamelin” é uma boa peça, talveZ falte um pouco de ritmo, mas cumpre sua função, principalmente pelo texto que, como já disse antes, é bastante instigante.

Vladimir Brichta tb tá muito bem em CENA, longe daquele estereótipo que, infeliZmente, a televisão fez dele, do galã pegador, sempre mostrando o corpinho sarado & tralálá...

Nada contra um corpinho sarado, me gusta mucho, inclusive!

Mas, se o dono do corpo sarado tiver talento e, pelo menos, souber como se atua num palco, a gente jura que aplaude no final.

Até pq tens uns que se dizem ATORES por aê que só querem saber de fazer ponta em “Malhação” e, se vc perguntar pras essas criaturinhas toscas quem é BoB Wilson, eles acham que é alguma atração do Cartoon Network.

Só que esse não é, definitivamente, o caso do Vlad, que é um ator meeega talentoso assim como a maioria dos atores made in Bahia...

Nem da mulher dele tb que, aliás, é uma simpatia de pessoa e certamente vai arrasar na pele da estrela Dalva de Oliveira na próxima minissérie global!!!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Medéia MONGA versus Jasão TESÃO

Na seXta, eu tb fui ver uma OUTRA tragédia clássica do nosso velho coleguinhas das antigas, ele mesmo, tio Eurípedes!!!

Mas, dessa vez, MEDÉIA é absurdamente transformada pelo povo do FOLIAS numa espécie de MONGA da pá-virada e, por isso mesmo, + insana, + vingativa e trocentas vezes + trágica do que aquela outra que CAUSOU horrores em Corinto.

E eu, que já gosto pra caralho de Medéia (leio e releio essa peça sempre quando acabo um namoro), curti + ainda essa versão tipo MONGA do Playcenter.E coisa funciona + ou menos assim:

A tenda do Folias é aberta pro público meia-hora antes da meia-noite, as barracas desse “circo notívago” já estão abertas muito antes da tal “neta do SOL” entrar em CENA surtando com a sua nada DOCE sede de VINGAÇA.

Personagens absurdos recepcionam uma platéia que, em princípio, não sabe bem o que faZer, estão todos apreensivos, pois se Medéia já é PIRIGUETE por si só, o que esperar de uma Medéia-Monga, nada songa, e ainda por cima acompanhada por típicas criaturinhas saídas da Noite do Terror do Hopi Hari!!!

Daí tem a barraca do E.T., a barraca dos irmãos SIAMESES que vendem beijos na boca (aki, siameses numa versão menino & menina, pra vc escolher se quer beijar desde o Brad Pitt até Angelina Julie, mas eu beijei os dois pq eu sou meio “tarado” por siameses, kikiki), a barraca da sereia tosca, a barraca do matemático perturbado, etc., etc., e taiZ!!!

Enquanto transitam por essas barraquinhas coloridinhas (a cenografia & os figurinos dessa peça são incríveis), os + ansiosos não deiXam de se perguntar:

E a tal da Medeia, hein?

Cadê essa criatura descompensada?

Será que ela foi se aconselhar com a Família Nardoni???

E dá-lhe uma BRÊJA pra acalmar os ânimos da plateia (sim, duas gurias ficam por lá vendendo cervejinhas geladíssimas & povo já caindo de boca na birita enquanto dona Medeia não dá as caras).

Mas eis que Medeia surge no palco principal, numa aparição totalmente MONGA, com todos aqueles truques de espelho e tudo + que uma mulher-FERA que se preze tem direito.Duas atrizes se “revezam” no papel da tal neta do SOL esnobada pelo Jasão Tesão...

Uma toda vestida de “amiga da ONÇA”, tigresa de unhas NEGRA e íris cor de MEL, que paga BOQUETE num pirulito tutti-fruti (na minha terra chamamos esse doce de CABEÇÃO e eu adorava chupar esse bagulho quando era KID, o que Freud até agora não conseguiu diagnosticar, pois meu caso é grave, broW).

Já a outra arrasta seus filhos pelos cabelos, uma mãe selvagem, louca pra se vingar e foder com a vida do seu Jasão Tesão.

Engana-se, porém, quem achar que, no meio dessa patacoada toda, Medéia não cumpre friamente a sua DOCE vingança.

Muito pelo contrário, a tal da Medeia-MONGA dá BAFÃO o tempo todo & toca o seu PUTEIRO em cima do tal Jasão-tesão.

E o fim dessa montagem do Folias é muito SEM noção, passei mal de tanto rir, Medeia cumpre o seu destino trágico, mas sem a carruagem de FOGO pra sua escapadela final.

Até pq essa Medéia-Monga é braZuca, velho!

Ou seja: nada de carruagem faiscando ou efeitos especiais de penúltima geração.

Afinal de contas, isso aqui não é cirque du soleil e fazer teatro no Brasil é quase uma jornada heróica, viu!E a nossa amiga Medéia, essa monga barraqueira, não quer saber + de papo com plateia nenhuma, manda todo mundo se foder, sair fora e ir pra casa do caralho ou por PQP, que ela tá com enXaqueca até na medula, pois matar filhote pra se vingar de marido não é como preparar nuggets no micro-ondas (HAHAHA).

No +, eu ADOREI, recomendo, prepare-se pra GARGALHAR bastante!!!

Ah, tb leve bastante moedinhas de 50 cent’s, que essa Medeia-Monga, o seu Jasão tesão & todas as outras atrações das tais barraquinhas circenses são beeem mercenárias e ninguém faz nada de graça ali, não senhor!

Levanta a cabeça, infortunada!!!

Lembro que quando fiz um curso sobre Tragédia Grega com a tia TEREZA MENEZES (a nossa querida teatróloga, dramaturgista e autora do imprescindível “Ibsen e o Novo Sujeito da Modernidade”), na hora do intervalo sempre rolava uma “zuação básica” entre eu & as meninas (Luciana Gonçalves, Bárbara Ismênia, Rita NiZZan, entre outras coleguinhas de oficinas teatrais) com essa marcante FRASE dita por HÉCUBA, a rainha vencida de um reino outrora conhecido pela grandeZa dos seus muros intransponíveis.

“Levanta do chão DURO esta cabeça, infortunada! Apruma teu PESCOÇO! Não mais existem TRÓIA nem rainha!”

E, deixando qualquer brincadeirinha de lado, devo diZer agora que me amarro muitíssimo nesse teXto toda veZ que leio, dos argumentos apresentados pelas personagens, do confronto entre a mater dolorosa Hécuba com uma impassível Helena de Tróia, além do sofrimento atroZ de Andrômaca e o desespero da perturbada Cassandra juntamente com todas aquelas mulheres aviltadas pela guerra.

Sei que grandes diretores braZucas já a encenaram mas, até seXta passada, eu nunca tinha visto nenhuma montagem – nem aqui em Sampa, nem em qualquer outra cidade do nosso planetinha pré-aquecido – dessa clássica tragédia do tio Eurípedes, o grande mestre em “exacerbar os sentimentos”.

Vi e gostei muitíssimo do que pude constatar pessoalmente na montagem assinada pelo diretor Zé Henrique de Paula, em cartaZ ali no Teatro Sérgio Cardoso.

“Quantas razões eu tenho para CHORAR nesta calamidade a PERDA de meus filhos, meu marido, minha querida PÁTRIA... Ai de mim!”

Tudo bem que eu até já tinha algumas informações de que, nessa peça, o diretor transpôs toda a tragédia de Hécuba e cia. pros campos de concentração nazista da Segunda Guerra Mundial, que o elenco aprendeu alemão e trálálá...

Mesmo assim, essa montagem conseguiu me surpreender, me tocou profundamente, não sei se por causa de minhas raíZes que tb tem um pé fincado naquelas bandas largas do Oriente Médio...

De qualquer forma, o que eu vi em CENA foi um puta trabalho de encher os olhos (literalmente), coisa de gente GRANDE, que sabe o que faz, com uma entrega visceral de todo o elenco, totalmente dentro da proposta do espetáculo...

Resumo da MELOPÉIA: “As Troianas”, do Núcleo Experimental, tá INCRÍVEL, uma peça teatral do tipo imperdível, muito FODA mesmo!!!

“Aproximo do chão meus joelhos doloridos e golpeio a terra com as mãos antes fortes fechadas!”

No início dessa montagem, rola uma projeção de uma cena entre Poseidon & Palas Atena no melhor estilo “Casablanca”...

Logo depois, as tais “troianas” – que nessa montagem, como já disse antes, são JUDIAS – chegam descarregadas como animais do vagão de um trem e enfrentando toda a perversidade de soldados nazistas.

E, mesmo sendo totalmente falada num idioma que não dominamos, essa peça consegue nos comunicar fluentemente porque trata de uma temática universal, trata da dor da PERDA.

E a compreensão fica melhor ainda pra quem já leu essa tragédia, dá pra identificar facilmente cada uma de todas aquelas viúvas cativas que surgem em CENA.

“Levai-me, conduzi-me na marcha FORÇADA. Comecemos a triste JORNADA até nosso CRUEL cativeiro!”

Ah, a cena da caiXinha de música, com uma das atrizes dançando balé no vagão, é realmente de se tirar o chapéu...

Tb a cena do menininho que faz o Astiânax, filho do Heitor com Andrômaca, é muito comovente...

O menino parece ter saído daquele filme “A Lista de Schindler”, sei lá, um filme que eu vi com o coração faZendo biquinho pra não desaguar no choro (sou EMOtivo meeesmo, eu assumo meus defeitos, e totalmente trágico tb, buáááááá).

Portanto, leve o seu LENÇO com rendas de bilro que eu aposto que vc vai sair dessa peça meio desidratado de tanto lacrimejar.

Isso mesmo, rola uma CATARSE final, ou até mesmo uma reflexão fodida sobre a tal da INTOLERÂNCIA, essa porra devastadora que nos ataca diariamente e que só a percebemos quando torres siamesas são derrubadas por aviões-bomba ou quando guerras mundiais acontecem, espirrando sangue no nosso quintal.

Pois como diria o tal judeu da CRUZ: “perdoai-vos, Senhor! Eles NÃO sabem o que fazem!”

Ou sabem???