sábado, 10 de julho de 2010

Quero ser TIM Burton!!!

Uma ANIMAÇÃO marcante:
http://www.youtube.com/watch?v=QkmKhd_h3lk




















O ano era 1982 e Tim Burton – apesar de já está trabalhando com animação no Walt Disney Studios – ainda não era nem a sombra do consagrado diretor de cinema que se tornaria mais tarde. Mas foi justamente nesse ano que Tim fez “Vincent”, o seu primeiro curta-metragem, todo gravado em stop-motion e que já denuncia a atmosfera bizarra e gótica tão patente na obra desse diretor de sucessos como “Eduard Mãos de Tesoura”, “Batman – O Retorno”, “Big Fish” e, mais recentemente, a versão em 3D para o clássico “Alice no País das Maravilhas”.
E por mais estranho que possa parecer, “Vincent” é uma animação de TERROR feita especialmente para público INFANTIL. Em preto e branco e com uns traços angulosos, o clima sombrio desse curta passa longe do jeito Disney de fazer animação. Só que a estranheza é uma arte que Tim Burton domina bem e “Vincent” mostra as travessuras de um garoto que sonha em ser igualzinho ao seu ídolo, o ator americano Vincent Price (1911-1993), que se projetou em filmes assombrosos baseados na obra do escritor Edgar Allan Poe.
Aliás, sabe quem é o dono daquela risada assustadora no final de “Thriller”, o histórico clipe de Michael Jackson? É ele mesmo, Vincent Price! E como um fã assumido de Vincent, Tim Burton quis prestar essa homenagem, escrevendo, desenhando e dirigindo “Vincent”, uma animação quase autobiográfica do próprio Tim, que conta com a voz inconfundível de Vincent Price narrando tudo.
O curta, que tem mais ou menos cinco minutos de duração, virou uma verdadeira febre no YouTUBE entre os fãs de todas as idades de Tim Burton. São impagáveis as cenas em que Vincent quer mergulhar a sua tia velha num balde de cera para, depois, exibi-la no seu museu... Ou quando ele quer transformar o seu pobre cachorro Abacrombie em um terrível zumbi.
Depois viriam outras animações como “A Noiva Cadáver” e o bem-sucedido “O Estranho Mundo de Jack”. Mas é com “Vincent” que começa – tão estranho como o próprio Tim Burton – a carreira desse que é indiscutivelmente um dos mais inventivos diretores da indústria cinematográfica norte-americana.






*** Esse texto foi desenvolvido para a Oficina de Crítica de Cinema, ministrado por Christian Petermann (Revista SET, Rolling Stones, Folha de São Paulo e etc.)

Yo La TENGO!!!

Uma trilha SONORA bacana:
















Quando foi lançado em 2006, o filme “Shortbus” polemizou por causa de suas cenas de sexo explícito. Mas os cinéfilos mais atentos puderam ver – e escutar – que, além dos tórridos encontros num clube undergroud de uma Nova York pós-atentado de 11 de Setembro, a trilha sonora também é um dos pontos altos desse filme.
Michael Hill e o grupo de indie rock Yo La Tengo assinam toda a trilha sonora de “Shortbus”, onde se destacam belíssimas canções como “Love Will Take Over”, “In The End”, “Boys of Melody”, entre outras mais. E para quem ainda não sabe, Michael Hill tem conquistado grande destaque dentro da mais recente cena roqueira nova-iorquina. Já o Yo La Tengo é um grupo que surgiu há mais de 20 anos em Nova Jersey, dono de uma trajetória de excelentes discos e enorme respeito no cenário musical norte-americano.



















Além da inquestionável qualidade de sua trilha sonora, o mais bacana em “Shortbus” é que, em algumas de suas cenas, as músicas são executadas em performances beeem inusitadas, como é o caso das duas backing-vocals que cantam penduradas de cabeça para baixo num balanço, vestidas em “trajes” minúsculos que lembram olhos e grandes lábios. Sem falar que, em “Shortbus”, o Hino Nacional dos Estados Unidos é cantado como nunca se viu em toda a história do cinema mundial.
Para quem quiser ver – e também escutar – toda essa manifestação de intenso patriotismo norte-americano, é só conferir sem o menor pudor esse filme dirigido pelo cineasta Jonh Cameron Mitchell, que também traz em seu currículo o musical “Hedwig: Rock, Amor e Traição”.


























ACESSE: http://www.youtube.com/watch?v=bDfer2J-Vpk

*** Esse texto foi desenvolvido para a Oficina de Crítica de Cinema, ministrado por Christian Petermann (Revista SET, Rolling Stones, Folha de São Paulo e etc.)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

AbaiXo a GRAVIDADE!!!

Uma ATUAÇÃO marcante no CINEMA por ZEN SALLES:


























Foi no ano de 1989 que o filme “Superoutro”, do cineasta baiano Edgar Navarro, entrou para a história do cinema brasileiro. O média-metragem de 45 minutos impressiona principalmente pela atuação de seu protagonista Bertrand Duarte. E por causa desse seu trabalho tão visceral, Bertrand faturou o Kikito de Melhor Ator no Festival de Gramado, o mais importante prêmio do cinema brasileiro.

“Superoutro” conta as desventuras de um louco que sai pelas ruas de sua cidade subvertendo a (des)ordem das coisas, dizendo verdades que só os loucos ousam dizer, desamarrando assim as camisas-de-força que a própria sociedade criou para camuflar os seus desejos mais descarados.

O conflito desse herói é com as amarras de uma sociedade que adora pregar a liberdade como um bem maior e necessário, mas que, por outro lado, ela só nos oprime com o seu modo de vida cada vez mais esquizofrênico. "Acorda HUMANIDADE", grita ele com tom de provocação. E o grande desejo do Superoutro é voar, sair desse mundo e simplesmente voar, como todo e qualquer superherói que se preze. "Abaixo a GRAVIDADE", anarquiza enquanto se joga pelos ares.

A saga desse típico herói brasileiro (ou seria anti-herói?) não poderia ser mais bizarra, chegando até ao explicitamente escatológico em algumas de suas cenas. Mas, nem por isso, essa saga deixa de ser poética. Aliás, justamente por causa de sua extrema ousadia é que a sua poesia se mostra tão perturbadora, crua e humana.

Bertrand Duarte já era um dos atores mais expressivos da cena teatral de Salvador quando aceitou o convite de Edgar Navarro para interpretar o personagem principal em “Superoutro”. Ele me contou que o seu processo de preparação para esse papel foi muito intenso e que, em alguns casos, ele teve até que pedir uma “autorização sobrenatural” para poder fazer determinadas cenas. Como, por exemplo, na cena onde ele devora uma das milhares de oferendas espalhadas pelo litoral da Baia de Todos os Santos.

Lembro que a primeira vez que assisti “Superoutro” as suas fortes imagens, em princípio, me incomodaram um pouco. Até porque é muito difícil ficar totalmente indiferente com as cenas onde ele defeca ou até mesmo quando se masturba enquanto assiste ao programa “Roletrando” do Sílvio Santos. Logo depois do impacto inicial, eu fui me deixando levar pela louca viagem desse herói “made in Brazil”. E foi aí que eu descobri toda a sua desconcertante e nada sutil lucidez.

Também é bom lembrar que, depois de “Superoutro”, Bertrand atuou em outros importantes filmes do cinema nacional, como em “Alma Corsária” do Carlos Reichenbach. Mais recentemente, ele fez “Dawson, La Isla 10”, do cineasta chileno Miguel Littin e, também, ganhou o Prêmio de Melhor Ator da edição 2009 do Festival de Cinema do Paraná, pelo seu trabalho em “Pau Brasil”, dirigido por Fernando Bélens.

E mais: Bertrand Duarte e Edgar Navarro se reencontram 20 anos depois, agora no longa “O Homem que Não Dormia”, totalmente gravado na Chapada dos Viadeiros, lá na Bahia, e que traz em sua trama fortes elementos do folclore do Nordeste brasileiro. Esse filme, que é um sonho de Edgar Navarro que durou cerca de 30 anos entre a produção do roteiro e o início de suas gravações, já tem estreia prevista para o ano que vem.

*** Esse texto foi desenvolvido para a Oficina de Crítica de Cinema, ministrado por Christian Petermann (Revista SET, Rolling Stones, Folha de São Paulo e etc.)


Comentário do Christian sobre o texto acima:
“Excelente escolha, texto único, bem exposto, com boas informações; e também compartilha uma experiência pessoal com um filme raro”

quarta-feira, 16 de junho de 2010

“Steeeeeeeeeeella!!!”

Um FILME marcante no CINEMA por ZEN SALLES:





















Como um amante FIEL de CINEMA, incontáveis são os filmes que fazem parte do meu GENOMA cinematográfico. Mas, quando comecei a ter consciência desse meu vício incurável por salas de projeção, eu lembro que tinha uns 13 anos de idade e foi exatamente em um festival de filmes inspirados em grandes obras literárias e teatrais organizado por minha escola – evangélica, diga-se de passagem – que eu me deparei com um diabólico Marlon Brando encarando Vivien Leigh em um filme assinado pelo Elia Kazan.

Com o sucesso nos palcos da peça teatral de Tennessee Williams, “Um Bonde Chamado DESEJO” logo teve uma adaptação cinematográfica em 1951. No Brasil, o filme recebeu o sugestivo nome “Uma Rua Chamada PECADO”. E todo mundo já sabe o sucesso que o filme fez tanto lá fora como aqui, além de todos os prêmios que ele conquistou. Sem dúvida, uma filmografia icônica da chamada Sétima Arte.

Mas, voltando aos meus 13 anos, lembro que fiquei absolutamente hipnotizado com a atuação de todo o elenco, atores em POSSESSÃO, completamente dominados pela intensidade dos seus personagens. Logo na primeira cena, uma frágil Blanche DuBois chega na estação de Nova Orleans e já precisa da “bondade de um estranho” para obter informações de como chegar até o lugar onde mora a sua irmã Stella.

Algumas cenas depois, vemos um Stanley carregando pedaços de carne em sua costa, a personificação perfeita de um brutamonte em estado puro. Não demora muito para que toda a fragilidade confusa de Blanche se confronte com a brutalidade intempestiva de Stanley.

Inesquecível a cena de Stanley gritando “Steeeeeeeeeeella!!!” e aquela mulher descendo as escadas, ardendo de tesão por seu homem. Não me lembro de uma cena mais sexual sem apelar para a nudez em toda a história do cinema. Só o olhar encharcado de desejo do casal é mais que suficiente para dar o recado.

Talvez por causa da própria origem teatral da trama, Elia Kazan praticamente filmou a peça de Tennessee Williams. Até porque todos os elementos utilizados nessa narrativa cinematográfica servem para intensificar os conflitos que Blanche DuBois já vem carregando antes mesmo do filme começar, pois tudo no filme gira em torno dela, que é uma das personagens femininas mais bem construídas (ou o correto seria dizer desconstruída?) da história da dramaturgia universal.

Sem falar que, nesse filme, os diálogos são tão importantes quanto a própria ação das personagens. Ou, como já se disse e se repetiu tantas vezes por aí: “Um Bonde Chamado Desejo” não passa de uma peça filmada. Nada apela para o explícito nesse filme, mas tudo nele fica tão patente. A cena do estupro, por exemplo, é resolvida com a imagem de Blanche refletida em um espelho espatifando.

E é justamentente por causa de suas interpretações viscerais, por sua direção precisa e, principalmente, pela sua dramaturgia tão sensível e ao mesmo tempo vigorosa, “Um Bonde Chamado Desejo” faz parte de minha coleção de cabeceira, um filme que sempre vejo e revejo com a mesma garganta entalada, os olhos hipnotizados e o prazer da descoberta de um garoto de 13 anos.

























*** Esse texto foi desenvolvido para a Oficina de Crítica de Cinema, ministrado por Christian Petermann (Revista SET, Rolling Stones, Folha de São Paulo e etc.)


Comentário do Christian sobre o texto acima:
“Texto muito bem desenvolvido e amarrado. Parabéns!”

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Univitelinos na área???

Quinta passada, dei um rolêZão básico aqui na FAAP pra sacar a eXposição dos GÊMEOS do grafite.


E todo mundo já sabe da minha obsessão quase seXual por UNIVITELINOS!!!

Mas sobre a eXposição dos tais gêmeos grafiteiros, eu quero diZer que nem é de hoje que eu me amarro no trampo desses caras, sempre os achei muuuito MASSA.

Toda vez que passo em frente daquele muro gigantesco que o Kassab mandou apagar e – depois de ficar sabendo do sucesso dos Pandolfo na gringa – voltou atrás e pediu pra eles grafitarem de novo, eu piro horrores naquelas criaturinhas AMARELADAS que já viraram uma marca inconfundível dos Pandolfo...

Aliás, é só se deparar com qualquer grafite dos gêmeos espalhado pelos muros dessa cidade surtada pra ir logo identificando o estilo dos caras...

E eu pago mó PAU pra quem consegue imprimir uma MARCA na sua ARTE, uma qualidade que poucos possuem, pois a maioria infeliZmente ainda prefere copiar...

Mas, como já andaram diZendo por aí: “a cópia reproduz, o original DESAFIA”!

Só que ESTILO ninguém copia, parceiro...

E quando acontece ao QUADRADO – ou seja, entre gêmeos QUASE siameses, hehehe – a coisa é + GENIAL ainda!




















Uma veZ eu li na BRAVO! que Gustavo & Otávio Pandolfo, quando eram guris, participaram de um concurso de ilustração numa escola do Cambuci...

Eles estudavam em turmas diferentes e um queria surpreender o outro com o seu trabalho escolar...

Mas um não disse nada pro outro e, mesmo assim, as gravuras dos dois saíram como eles...

Ou seja: IDÊNTICOS!

Agora, me diga se isso não é coisa de univitelino com tendências siamesas??? HAHAHA!!!

E nessa eXposição dos GÊMEOS da FAAP, a coisa não se resume apenas ao grafite.

“Vertigem” tem uma pegada quase psicodélica, algumas obras te deixam levemente “chapado”, tem um mural imenso lá que eu juro que me proporcionou sensações infinitas (ui!).

Eu curti muitíssimo aquela mulher da BURCA (outra obsessão minha, BURCA), pirei horrores com a frase que fala da ferrugem no sorriso e, tb, com aquela barca que vc bate palma dentro...

Tb tem o barraco tocando uma música muito foda de boa, aliás essas alegorias enormes do gêmeos me lembraram - não sei a raZão - as “viagens” do Joãosinho Trinta, o carnavalesco maranhense da Beija-flor de Nilópolis, artista de mão cheia assim como Gustavo & Otávio, que não pode cair no esquecimento.





















Ah, não posso esquecer daquela obra dos caras com a frase que diz mais ou menos que “lá fora tá muito chato”, algo eXtremamente irônico e – quem sabe? – endereçado aquela moçadinha que acha que grafite é uma arte própria das ruas, feita pra ficar nesse “lá fora”, bem longe das galerias de artes, museus & afins.

Enfim, eu nem sou tão maluco assim pra entrar nessa polêmica que não me pertence...

Até pq eu acho que arte é arte e não interessa onde ela aconteça ou se manifeste, se dentro ou fora...

O que importa é que ARTE aconteça!!!

Tem +: devo confessar que eu adoraria ter a cenografia da minha peça SIAMESES assinada pelos GÊMEOS grafiteiros...

E com os figurinos assinados pelas GÊMEAS, elas mesmas, as tais estilistas do Fashion MOB... AUAUAUAUAUAU!!!

Por falar em univitelinos e taiZ, a cirurgia de separação das SIAMESAS bengalis Trishna & Krishna - que durou 25 horas - foi um SUCESSO!!!



















Vida LONGA pra essas SIAMESINHAS fofas do tio ZeN Xelar...

E, obviamente, vida LONGA tb pros meus SIAMESES que, aliás, estreiam proXimamente... Uêbaaa!!!

sábado, 7 de novembro de 2009

Ai, que PREGUIÇA!!!

Semana passada, eu vi no Park da Independência um daqueles espetáculos mágicos, que conseguem te hipnotizar do começo ao fim e que, no final da peça, vc pensa:

PutZ... Eu realmente tô faZendo o que QUERO, tenho um puta PRAZER de faZer parte desse mundo, definitivamente eu sou um carinha de muitíssima SORTE, tralálálálá!!!

O tal espetáculo era "Till - A Saga de um Herói TORTO", do Grupo GALPÃO, a melhor trupe de teatro das Minas Gerais, que depois do inesquecível "Romeu & Julieta" consegue surpreender + uma vez com esse espetáculo que podemos chamar de... De... De... PutZ, sem palavras, caraaa!!!

Saca só as fotinhos que eu tirei do tal Till:


http://www.youtube.com/watch?v=8H3t0Z0DZW8&feature=related

Com o Till, foi impossível não lembrar do Macunaíma...

Assim como o nosso antiherói braZuca, Till é a PREGUIÇA encarnada, metido a esperto, fanfarrão & sempre se dá bem no final das contas.

E a vibe desse epstáculo é realmente incrível.

O texto é do Mestre Luís Alberto de Abreu, com aquela pegada NARRATIVA que só o tio LAA domina!

E nesse espetáculo do Galpão, tio LAA abusa especialmente de personagens meeega absurdos, grotescos, insanamente deliciosos (eu me esbaldei, adoooro essa proposta FREAK, acho que todo mundo tb já sacou essa minha preferência teatral, AUAUAUAUA).



E que os atores do GALPÃO são FERAS, isso todo mundo que curte teatro de verdade tá cansado de saber...

E o que é aquela atriz que interpreta o Till, a tal da Inês PeiXoto???

Ela é simplesmente M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.A!!!

Bueno, pra falar a verdade, a Inês é a cara do Galpão...



A cena do nascimento do Till é do caralho, velho!

Caaaara, é inacreditável ver a Inês saindo de dentro da veterana Teuda Bara, o Park da Independência inteiro aplaudindo a cena em pé, eu quase surtando, émocionado pela qualidade teatral daquela cena, braVo, braVíssimo!!!

E as bricadeiras "interativas" dos atores com a moçada da plateia: mega atuais, bem-sacadas, rápidas, megaaa engraçadas...

Saí do Park da Independência putamente feliZ!!!

Nasci de NOVO!!!



Vida longa pra trupe do GALPÃO!!!


BraVo, braVíssimo, TILL!!!

Assim CAMINHA o teatro braZuca???


Um país sem MEMÓRIA vive assim, como o velho TBC... Totalmente em RUÍNAS!!!