quarta-feira, 28 de novembro de 2007

CANIBALIZANDO os Italianos

Pois é, brow... Eu tô quase virando RISOTO de eventos dramatúrgicos. Risoto não... Nesse caso foi uma boa PASTA. Sim... Eu e o meu apetite voraz nos picamos, no último dia 26, até o tal do Teatro Augusta, ali mesmo naquela rua de gente comportada e casta. Tudo isso simplesmente pra devorar uma boa massa italiana. E como a gastronomia made in Itália é divina, não foi sacrifício nenhum devorar um apetitoso prato do tal país com formato de BOTA. E a degustação foi chiquérrima. Teve até show de canto lírico. Como prato principal, foi servido um tal de Michele Panella... O quê? Mais uma Panella no mundinho teatral? Como assim?

Não sei exatamente que Panella é essa, papito! Só sei te dizer que, com Panella ou sem Panella, eu não titubeei e canibalizei esse prato italiano com bastante ketchup, só pra irritar mais ainda algumas figurinhas carimbadas que se escondem no Bexiga, no Brás e na Mooca, e acham que têm um pé inteiro atolado na Costa Amalfitana... Hehehe... Portanto, prepare o seu PALADAR, pois eu te conto agora quase tudo que rolou nesse delicioso banquete dos deuses da Toscana. Mas, como diria o Hannibal Lecter, vamos por partes:

E só pra vc não ficar viajando no Sazon, eu tb te digo quem é o Michele Panella. O cara é superjovem, tem um pouco + que 30 anos e já é curador artístico de um dos teatros + expressivos da Itália, o tal do Teatro Della Limonaia de Florença.
Nesse encontro tb estiveram presentes a diretora teatral Débora Dubois, o jornalista Sergio Salvia Coelho e a pesquisadora Neyde Veneziano, que analisaram várias questões relacionadas ao teatro contemporâneo. Mas o foco da coisa apontou para o tema “Da Encenação à Realidade”.
E, depois da Grécia, todo mundo sabe que a Itália é uma outra forte referência na cena teatral de todo esse nosso maltratado planetinha. Dramaturgos como Sêneca e Terêncio - apesar de, tb, serem influenciados pelos gregos - não nos deixam mentir. Outra coisa que instantaneamente vem em nossa cabeça quando falamos do teatral italiano é a Commedia dell’Arte, com a sua comicidade poética e os seus personagens encantadores. Mas como é que essa história toda vem parar em terra tupiniquins, ô, cara-pálida?

A pesquisadora Neyde Veneziano, professora da Unicamp e especializada em teatro italiano, falou da influência que a Itália e o teatro italiano vêm exercendo em São Paulo ao longo de sua formação como megalópolis. Até pq uma coisa é certa e inquestionável: tanto a cidade de São Paulo como o próprio teatro paulista (ou paulistano, sei lá) têm a cara dos italianos. A influência desse povo é visível nessa cidade infinita. Seja na culinária, no jeito passional e franco de falar, no modo prático e elegante de se vestir... E isso acontece desde o tempo que uma legião de italianos veio da Europa pra fazer a América nessas bandas do hemisfério Sul.
Entre um trabalho e outro, ou até mesmo nos cortiços onde viviam, pequenas manifestações teatrais sempre estiveram presentes na vida dos imigrantes italianos. E tudo isso rolava até mesmo como uma forma de lazer, de uma maneira totalmente espontânea, quase sempre inspiradas nas personagens da Commedia dell’Arte. Ah... E os enredos dessas “improvisações teatrais” falavam quase sempre da filha do italiano que tinha vergonha dos pais – pq eram de origem humilde – e que queria se casar com o filho do português, um tipo de gente com mais (pelo menos era o que se dizia no começo do século passado) classe e tradição. Saca a Dona Xepa? Pois é... Era uma coisa meio assim. E eu já quero dizer de antemão que quando essa novela passou, a tal da Dona Xepa, eu nem pensava em vir CAUSAR nesse mundinho absurdo. Esse exemplo foi dado pela própria Neyde. Não é coisa minha, não!
E, como bem sabemos, alguns desses italianos – com nome de trabalho e sobrenome de hora-extra – fizeram verdadeiras fortunas no Brasil. E já que se tinha muito dinheiro, alguns instantes de prazer eram + que indispensáveis. E como praia não é exatamente coisa de paulista, o povo daqui começou a freqüentar desde cedo os teatros. Muitas companhias internacionais vieram e, quando elas não viam, os italianos daqui tinham as suas próprias divas. Ou alguém nunca ouviu falar na grande atriz Itália Fausta? Pois é... Dizem que ela era da pá-virada e arrasava em cena.
Outra figura que nunca vai passar em branco, nessa história da influência italiana no teatro paulista, é o Franco Zampari. Esse cara conseguiu construir um verdadeiro império e, por isso mesmo, queria retribuir tudo o que São Paulo proporcionou de bom em sua rica vida. E sabe qual foi, entre outras coisas, a forma de retribuição desse italiano podre de rico? Se a sua resposta foi o TBC... Absolutamente CERTA! É... O lendário TBC. Foi ali, na rua Major Diogo, que São Paulo conheceu um verdadeiro templo que revolucionou o teatro. Aliás, o teatro brazuca foi, por muito tempo, dividido em antes e depois do TBC. Foi lá que surgiram os grandes nomes de nossa cena, entre atores, encenadores, produtores, iluminadores e váááááários outros profissionais da área.

Franco Zampari

Também sabemos que teatro brasileiro é feito, basicamente, de aglutinações e diásporas. E assim aconteceu com o já falecido TBC (isso mesmo, ninguém mais tem dúvida de que o TBC já era, é só dá uma passadinha lá na Major Diogo para ver, pessoalmente, aquele casarão caindo aos pedaços). Mas os caras que começaram lá continuaram na ativa, botaram a mão na massa e, até hoje, muito deles continuam provocando, revolucionando e produzindo espetáculos teatrais de CHAPAR qualquer cidadão do mundo.
E dali pra frente, a competência do teatro paulista só fez aumentar. Tanto que, em nosso país, Sampa já se destaca como o lugar de maior efervescência no meio teatral. É claro que leis de fomento e toda a visibilidade que essa cidade infinita tem no resto do mundo são fatores decisivos. Mas não é só isso, não. Tem uma moçada aqui que não tá muito a fim de ficar acomodada. E tá botando o bonde do rolê pra bombar! E a Praça Roosevelt é um bom exemplo disso. Bem... E foi basicamente isso que eu consegui anotar do papo que tivemos com a Neyde Veneziano.
O Michele Panella, curador do Teatro Della Limonaia, em Florença, falou sobre a sua experiência e o que ele tem visto na cena teatral de todos os países que ele visita. E são vários, não há nenhum critério na escolha de qual será o país visitado e o que interessa mesmo pra ele e pra sua trupe é o intercâmbio, a troca, a interação... Resumo da ópera: essa moçada tá + a fim é de visitar e perceber o que vem sendo feito em outras localidades, quais as pesquisas, assuntos de interesse, o que há de particular ou local nessas produções e, conseqüentemente, quais os seus aspectos universais.
Panella falou da estrutura de alguns textos que ele leu pelo mundo afora e que chamaram muito a sua atenção. E, segundo ele, tem muito dramaturgo aí investindo naquele papo que, ao que parece, já virou modinha: a tal da DESCONSTRUÇÃO. É o tal do desconstrói pra depois construir novamente. Ele tb apontou o meta-teatro, outra coisa que vem sendo reinventada e que já virou mania. Ou seja, é meta-teatro na Itália, meta-teatro no Brasil, meta-teatro na PQP... É por isso que eu já disse que cansei de META, eu quero + é METER. Mas nem que seja o pé na jaca!
Mas o ta do Panella tb ressaltou a intensa produção de textos no melhor estilo Sarah Kane. Ou seja, aquela coisa explosiva, paranóica, um mundo conturbado, caos absoluto, pessoas querendo comer os seus semelhantes... Êpa! Esse tema me atrai... Já me sinto! Adoro esse teatro sedento, faminto, que vai na garganta e te arranca a bílis. BULIMIA na cabeça! Mas uma bulimia feita de desassossego, inquietação, sensibilidade e poesia. E como isso é possível? Vômito e poesia no mesmo caldo? Sim... É superpossível. E a sobrenatural Sarah Kane é uma prova cabal disso!!!
E o + bacana de toda essa análise do Panella é o fato dos caras lá da Europa estarem antenados com outras regiões do mundo, buscando uma interação com outros tipos de cultura. E são eles que vão atrás, pesquisando, trocando idéia, não só naquele papo de Torre de Marfim. Tudo bem que uma torre, de vez em quando, não faz mal pra ninguém. Afinal de contas, ninguém estuda teatro ou escreve uma peça no meio da quadra da Vai-Vai num dia de ensaio da bateria, né? O silêncio e a concentração tb fazem parte do processo. Mas, por outro lado, não dá pra ficar trancado na tua cobertura achando que é o máximo. Pelo jeito, só vc sabe disso. Então, seu mela-cueca, bota esse teu bloco na rua que o carnaval já tá chegando!
Panella contou que o resultado de todo esse envolvimento, todo esse interesse dos italianos pelo que tá rolando na cena teatral dos quatro cantos do planeta, já pode ser conferido em grande parte dos teatros de lá, que contam com bibliotecas com um imenso acervo de obras dramatúrgicas do mundo inteiro. Ele tb falou que, no teatro que ele faz curadoria, a biblioteca tem mais de 10 mil títulos só de textos de outros países. E eles não ficam lá apenas como enfeite, não. O povo devora, se joga na leitura. Portanto, canibalizar outras culturas é fundamental!!!
E, o que é melhor, a tua obra tb pode estar nas bibliotecas desses teatros italianos. Nesse encontro, foi passado o e-mail do próprio TA, que vem mantendo um forte intercâmbio com as companhias e os teatros de lá. Se vc quiser + detalhes, telefona pra lá, visita o site ou então manda um e-mail para: biblioteca@teatroaugusta.com.br

A Débora Dubois, que é diretora e atriz, falou de sua temporada dirigindo uma peça brasileira na Itália, no Projeto Festival Intercity, promovido pelo Teatro Della Limonaia. E, de acordo com o depoimento dela, foram os próprios caras de lá que tiveram a iniciativa de entrar em contato. Isso mesmo! Foram eles que fizeram o convite, possibilitaram a ida de Débora Dubois pra lá, além de bancar toda a sua estada. E Dubois falou justamente desse interesse que eles têm em estabelecer intercâmbios culturais e como isso é essencial para o enriquecimento de uma pessoa.
Logicamente, Dubois mencionou as excelentes bibliotecas dos teatros de lá, confirmando que elas têm uma infinidade de coisas e estão lotadas de textos com a dramaturgia dos lugares + improváveis desse planeta.
Ela tb disse – e o que eu achei bacanérrimo – que nunca viu tantos títulos e textos de dramaturgia brasileira como nas bibliotecas dos teatros italianos... E textos dos dramaturgos de hoje, de ontem, enfim... Nem aqui, no Brasil, ela disse que viu um lugar que reunisse tanto texto teatral brasileiro como lá.
Débora Dubois até arriscou dizer que, se algum dia o Brasil desaparecer do mapa, a dramaturgia brasileira pode ficar tranqüilíssima, pois as bibliotecas dos teatros italianos já se anteciparam na salvação da história de nossa cena.
E eu preciso urgentemente mandar os meus textos pra lá antes que a casa caia. Sim, pq do jeito que esse Brasil anda desandando ultimamente, um dia a casa tomba de vez. E já me basta o estádio da Fonte Nova, os aviões da TAM, da Gol, da BRA... Eu não quero ir pro buraco não. Jamé! E qual é mesmo o e-mail desses italianos?
Sergio Salvia Coelho, jornalista e crítico teatral da Folha de São Paulo, deu uma pincelada geral sobre a história do teatro e da dramaturgia brasileira. E, tb, como a nossa cena foi adquirindo uma identidade própria, quais foram as nossas influências + significativas, os nossos ajustes e desajustes até chegarmos nisso que anda rolando hoje em dia.
Ele, como crítico teatral e pesquisador do assunto, constatou essa verdadeira ‘dengue hemorrágica’ de dramaturgos que anda atacando São Paulo. E que, dentro desse caldeirão fervido, rola muita coisa de qualidade, gente que tem procurado outras linguagens, vem descobrindo novas possibilidades e etc.
Nos anos 90, ele citou o Teatro da Vertigem como o grande diferencial de uma cena contemporânea, com um estilo original e com a nossa cara brasileira, sem deixar, portanto, de ser universal. Ele também lembrou que nomes como Bortolloto e Bonassi – nomes italianos? – surgiram pra ficar e os caras até conseguem sobrevir disso, com uma escrita autêntica, uma pegada própria e muita personalidade tanto no texto como em suas propostas cênicas.
E Sérgio finalizou falando dos Satyros que, segundo ele, é um fenômeno que demonstra claramente esse interesse cada vez + freqüente das pessoas em relação a uma nova geração de dramaturgos. Pra ele, a Satyrianas e o DramaMIX representou perfeitamente essa necessidade de possibilitar um intercâmbio maior entre autores teatrais, estabelecendo contatos e conexões entre eles, além do próprio incentivo pra quem tá a fim de se jogar nessa cova de leões gulosos... Enfim... Um verdadeiro banquete de teatro. Sirva-se!!! E, nesses intercâmbios, o idioma não tem se revelado como barreira. Haroldo Ferrari, um dos atores que protagonizou a peça “O Assalto”, dirigida pelo Zé Celso, contou da experiência que ele teve quando o Oficina foi convidado pra fazer algumas apresentações pela Europa e, mais precisamente, por toda a Itália. O cara falou de como a questão da lígua não representou nenhum impercilho, pq a linguagem do teatro é universal, que as pessoas conseguem compreendê-la seja pelo gestual ou até mesmo pela emoção.

Na foto, o resgistro de um delicioso banquete em "O Assalto"
Na real, eu acredito que ninguém sabe dizer exatamente como esse diálogo e essa compreensão entre idiomas, até certo ponto distintos, se estabelece na experiência teatral. Mas teatro é teatro, tem a sua magia e só mesmo Baco pra desvendar esse mistério. E como, ultimamente, Baco anda freqüentando a casa da Amy Winehouse com uma certa constância, é melhor não provocar o tal do deus cachaceiro... hehehe...
Depois dessa degustação à italiana, eu saí do Teatro Augusta com uma fome da parra, doidinho pra me jogar no Piolim e devorar uma bela lasanha à bolonhesa. Até Pizza de supermercado eu encarava. Mas daí eu pensei: até chegar lá no Piolim, eu terei que atravessar praticamente toda a tal da rua Augusta, encarar aqueles simpáticos recepcionistas de porta de puteiro querendo me jogar pra dentro daqueles templos da sacanagem nem que seja debaixo de cacete, driblar aquelas moças de família que vivem nas calçadas de lá sempre te oferecendo uma mãozinha ou uma sessão exclusivíssima de massagem tântrica... E eu, como sou um cara suuuuupercarente, desisti da lasanha, da pizza de supermercado e de toda a putaria daquela rua insana. No WaY! Eu já estava empanturrado de pratos italianos até a tampa. Sem falar que, agora, eu sou um cara totalmente light. Só janto em casa... E minha dieta inclui apenas arroz integral com carnes magras e nada mais... Hehehe... E viva Baco!!! Que ele esteja entre nós, nos embriagando com a sua deliciosa e faminta ARTE.
E Vicenza não perde por ME esperar. Eu quero invadir essa praia! Ooops... Alguém aí sabe me responder se rola praia em Vicenza? Hehehe!
PS: Todos que estiveram presentes no evento não deixaram de notar a MOSCA que não parava de perturbar o tal do Michele Panella e o resto da moçada que tava no palco divagando sobre a cena teatral contemporânea. E eu, inocente que sou, pensei que moscas gostassem apenas de sopa e não fossem nenhum pouco chegadas em uma delícia italiana. Huuum... Essas moscas andam tão ousadas ultimamente, né! Tragam o inseticida, por favor... Contratem o DDDrim – lembra? – e exterminem urgentemente aquela mosca abusada do Teatro Augusta! Hehehe...


sábado, 24 de novembro de 2007

Os ADESIVOS no ORELHÃO

Ele saiu do trampo e ia pegar o metrô na Praça da República. Trabalhava como telemarketing da ATENTO. Aliás, ele sempre dizia pros seus amigos que, nessa cidade que não te dá chance de sonhar, um zé-ruela como ele só tinha três opções: ou trabalhava com telemarketing, ou virava michê ou, então, se envolvia com a galera do tráfico. E ele sempre se achou um perfeito otário, pq não tinha coragem nem de vender o corpo, muito menos de mexer com droga e, pra piorar, nunca passou pela sua cabeça a idéia de se jogar de cima do Copan. Então, paciência... Ele ia vivendo assim: sem SONHO.
E ele seguiu em frente pela Praça da República, curtindo um som no seu MP3 que comprou no shopping daquele chinês que o Kassab mandou prender. Ele sempre comprou essas tranqueiras eletrônicas naqueles shoppings zoados próximos da 25 de Março. E tudo em vááárias vezes sem juro. Pelo menos, ele jurava que não rolava juros. Um dia até se perguntou por que investia o seu mirrado salário em objetos que durariam o mesmo tempo que a espinha que acabou de nascer em sua testa. Mas aí vinha aquela velha perguntinha de sempre: fazer o quê, né, cara-pálida? Já sou um fodido mesmo, então que se foda com estilo e totalmente na vibe.
Assim, conformado com a sua falta de sorte, ele sobrevivia com o seu tédio latente. Sempre com o seu indefectível headfone no ouvido. E no seu aparelho de MP3 só rolava o som do Radiohead, pois ele podia baixar, totalmente na faixa, o som do último álbum dos caras. E isso, pra ele, era tudo. Tava ‘sussa’, de boa... E fim de papo.
E como, naqueles dias, tava rolando o tal do horário de verão, ele queria + era curtir o sol de fim de tarde. Daí ele pensou: que tal uma breja com os manos + chegados que tb trampam por essas bandas da República?
Mas o seu celular não tinha um crédito sequer, nem pra mandar um torpedo. Só que ele lembrou que tinha um cartão telefônico dentro da mochila e resolveu telefonar pros manos e mandar todo mundo descer até a Galeria Olido, pois lá sempre rolava um som black e coisas do gênero.
Ele logo viu um orelhão pelo caminho, foi até lá e, rapidamente, começou a discar pro primeiro nome que encontrou na agenda do seu celular. Enquanto escutava o barulho da chamada, ele começou a ler, entre as dezenas de adesivos pregados por todo o orelhão, um que dizia assim:

“Coroa, gostosa, oral e anal completo. Gozo duas vezes sem sair de cima.”

Ele começou a pensar: ”Puta que pariu! Pq ninguém atende logo a porra desse telefone, hein?” Daí, ele resolveu partir pra outro nome da sua agenda. Discou imediatamente o número. Mas a sua visão não vacilou e logo focou em um outro adesivo:

“Kátia Paquita, a tua loira boqueteira. Devoro o teu caralho até o talo e sem camisinha. Te dou uma lambidinha, chupo tuas bolas e ainda engulo toda a tua porra. Se tiver pau grande, rola até beijo na boca sem cobrar por fora.”

Ele tentou não dar atenção pra + nada, se concentrou apenas no seu telefonema. Só que, mais uma vez, o orelhão chamou, chamou e ninguém atendeu do outro lado... E um outro adesivo GRITOU em sua vista.

“Lurdinha Rabuda. Seios da hora, dupla penetração anal, dedos grandes e unhas bem feita pra um gostoso fio-terra.”
Ele começou a suar em bicas, não agüentava mais. Desligou o telefone e, quase que descontroladamente, começou a ler todos os adesivos pregados naquele orelhão da República. E ele lia tudo em VOZ alta:

“Mulata Tarada, Taty Rabo de arraia, Rosana Topa-Todas, Baiana Cunete, Gracinha toda-dura... Oral sem camisinha, anal na pressão, beijo de língua... Grita, geme, cospe na cara, bate uma bronha com todo o carinho do mundo... Promoção diária, preço de ocasião... Aceita vale-transporte, bolsa-escola, ticket-refeição...”

Quando ele caiu em si, notou que tinha uns mendigos parados ao redor dele, alguns com olhos surpresos, outros zoando da cara dele com um sorrisinho insuportavelmente sacana. Ele quase se cagou nas calças quando percebeu que estava em pleno olho daquele furacão de moradores de rua.
E, num ímpeto incontrolável que nem ele mesmo sabia que possuía, começou a arrancar todos os adesivos que encontrava pela frente e a jogar dentro de sua mochila. A maioria dos adesivos rasgou quando ele os arrancou, outros grudaram uns nos outros... Mas ele não tava nem aí. Ou pior: nem sabia o que tava fazendo. Só sabia que deu na veneta e foi aquilo que ele fez.
Depois, ele correu pro metrô. Desistiu de curtir uma breja com os amigos. Desistiu da música black na Galeria Olido... Desistiu de TUDO. Só queria chegar em casa. E a sua viagem do centro da cidade até a última estação da Zona Leste durou uns 20 minutos. Ele saiu do metrô, pegou um buzão e, por último, uma lotação. Foram quase duas horas de viagem.
Finalmente, chegou em sua casa nos confins de Guaianazes. Ele nem foi falar com o resto da família que assistia, hipnotizada, o Jornal Nacional e as suas repetitivas notícias de bala perdida em favela do Rio ou seqüestro-relâmpago nos condomínios fechados de Sampa. Mas ele não queria saber de nada daquilo, só queria ficar trancado no seu minúsculo quarto localizado nos fundos daquela casa com paredes sem reboco. Ele abriu a mochila e tentou tirar, cuidadosamente, todos aqueles adesivos lá de dentro. Chegou a pregar alguns na parede bem próxima de sua cama.
Ele se deitou e ficou com os olhos VIDRADOS nos adesivos. A excitação foi inevitável. Suas mãos acariciavam seu pau e, cansado da vida, ele caiu no sono. Mas o readfone do seu MP3 continuava no seu ouvido. Sempre tocando músicas da banda do Thom York.
Ele até sonhou que tinha um harém formado apenas pelas garotas daqueles adesivos que roubou do orelhão. E elas tomavam forma, saiam de seus adesivos e invadiam o seu cobertor. Ele GOZOU dormindo um SONO quase de morte.
E ele só acordou no dia seguinte com o despertador do próprio celular. Tinha que tomar uma ducha bem rapidinho, e se mandar logo pro trampo pois, pra variar, estava atrasadíssimo e seu chefe já tava de olho nele, querendo encontrar qualquer desculpa pra lhe dá um pé na bunda. Mas ele voltou pra cama, queria + que o escroto do seu chefe tomasse no rabo. Tava cagando e andando pro mundo!!! Ele queria + era sonhar, nem que fosse por uns cinco minutinhos. Afinal de contas, sonhar não paga CPMF.
E ele dormiu, gozou outra vez, perdeu o dia, perdeu o emprego...

Mas SONHOU um SONHO que nunca + teve na VIDA.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

MONGA come BACK!!!

BroW! Tenho que me jogar agorinha mesmo no Playcenter. Fiquei sabendo que a Songa anda apavorando por lá... Songa, não... MONGA! Ou Monga-songa, tanto faz! Só sei que ela toca o TERROR, ela sabe CAUSAR! Eu amo a Monga... Desde os tempos de minha inocente infância, onde eu levantava a saia das irmãs evangélicas da igreja Batista que minha mãe insistia em me levar. Ela, coitada, queria que eu, um insano capetinha, fosse crente, iPOD? Não... Isso nunca que podia dá muito certo!

E quando mamãe me levava pro parque de diversão? Eu não queria saber de roda gigante, carrossel, algodão doce... Nada dessas coisas de retardado. Eu queria saber era da MONGA. Até na Disney eu procurei por ela e não achei. Fiquei traumatizado com a Disney, nunca + que eu volto praquele lugarzinho patético. Lá não existe Monga. E sempre foi ela quem me emocionou num parque. A Monga foi a primeira PAIXÃO de minha surtada VIDA!
Não vejo a hora de me picar por Playcenter e reencontrar o conforto absoluto nos braços da minha tão amada MONGA... Salve a MONGA!!! Ela finalmente voltou só pra mim!!!

Sem GELO

E já que algumas pessoas pediram, eu vou postar o teXto que fiz pro DramaMIX da versão 2007 das Satyrianas.
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Desenvolvi essa minúscula peça teatral tendo o DESEJO como base.
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E como nesse ano que já se finda a sacanagem política deitou e rolou com o caso Renan Calheiros e sua amante-jornalista, eu tb quis meter minha colher de pau oco nesse caldeirão de PUTARIA grossa.
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Como jornalista que sou, eu não parava de ler matérias falando de políticos flagrados em programinhas bizarros com garotas "de menor".
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Daí veio o gancho e o argumento pra peça.
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E o “Sem Gelo” até já ganhou uma versão MAIOR, pra uma encenação de uma hora, mais ou menos. A Bárbara, que nesse mix é apenas citada, entra em cena nessa versão ampliada que eu já escrevi. E ela é um elemento-chave, dá uma reviravolta na trama.
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Tb tem a Cacau, uma garota de programa, caso de Artur, que surge na história só pra engrossa + ainda esse caldo nada froZEN.
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Mas a versão ampliada, todo mundo só verá no palco (se alguém quiser montar, claro, hehehe).
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Agora, pegue o teu whisky cowboy e se embriague com a minha versão MIX. E tome Engov depois... hehehe!
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PEÇA em UM único GOLE

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CENÁRIO: um gabinete com artefatos em cores FRIAS. A ILUMINAÇÃO também é fria. TUDO nesse gabinete é muito frio. Com exceção de ARTUR, um cara radiante, SOLAR.
Bastante entretido e com uma certa EXCITAÇÃO, Artur manuseia um laptop. Entre os objetos que estão em cima da mesa de seu gabinete destaca-se uma GARRAFA de WHISKY 12 anos.
FERNANDO entra em cena meio servil, meio confuso. E ele traz em suas mãos um reluzente baldinho cheio de pedras de GELO.
ARTUR:
E aí, meu caríssimo assessor! Você já fez o que eu te pedi? Já contratou as gostosas?
FERNANDO: Hã... Quem?
ARTUR: As gostosas, Fernando! Não me diga que você ainda não contratou as gostosas pra minha festinha privê de hoje à noite!?
FERNANDO (totalmente confuso): Eu, eu...
ARTUR: E essas gatinhas têm que ser do jeito que eu mais gosto, beleza? Exatamente como nas fotos desse site aqui... (apontando para a tela do seu laptop) Bem peitudinhas, com umas bundas no ponto certo de levar bala... E todas elas têm que ter a idade do meu uísque!
FERNANDO: O quê? Idade do teu uísque? Peraí, Artur... Você pediu pra eu contratar umas garotas de programa. Não me disse que elas...
ARTUR: Pois eu tô te dizendo agora: eu quero garotas da idade do meu uísque!
FERNANDO (agitado): Artur, o teu uísque é 12 anos! Você ficou maluco? Doze anos não pode ser...
ARTUR: Já é, Fernando! Gatinhas da idade do meu uísque SIM. E tem que bater o maior bolão, mandar muitíssimo bem num boquete.
O CELULAR de Artur toca. Ele consulta o display.
ARTUR:
Porra, que saco... É a Bárbara!
Artur atende o celular e Fernando tenta escutar tudo enquanto folheia discretamente uma agenda.
ARTUR (com um carinho forçado):
Oi, amor!!! Eu... Eu tava pensando justamente em você agora. Era só saudade mesmo...(agora, meio gaguejando) Hã? Hoje à noite? Não, não! Éééé que... Hoje não vai rolar, meu amor... Eu tô cheio de compromissos! É... Campanha eleitoral, né? A gente tem que passar a mão na cabeça desse povo, comer aquelas gororobas nojentas... Mas Até que tá valendo a pena passar por todo esse calvário, sabe... A minha candidatura tá mais em alta do que o etanol. Essa eleição, Bárbara, é toda nossa! Pode deixar, querida... Eu vou mas eu volto... Só pra você, tá! Beijos, meu amor!
Artur desliga o celular como quem se livra de uma TORTURA.
FERNANDO (ainda folheando a agenda):
Como é que ela tá, Artur?
ARTUR (indiferente): Ela quem?
FERNANDO (fechando a agenda): A Bárbara! Não era com ela que você tava falando?
ARTUR: Ah... A Bárbara é aquilo que todo mundo já conhece: ela tá sempre bem, sempre linda, sempre por cima... Um porre!
FERNANDO: Escuta só, Artur: a Bárbara é a mulher perfeita pra estar do teu lado no dia da tua posse...
ARTUR: É! Você não deixa de ter razão... Mas bora deixar a Bárbara pra lá e falar sobre o que realmente interessa.
FERNANDO: Claro, os teus compromissos eleitorais de hoje...
ARTUR (cortando): Eu quero mais é saber das gostosinhas que você contratou, meu caro! E se não contratou, trate de contratar agora!
FERNANDO: Meu Deus... É inacreditável! Doze anos?
Artur pega a garrafa de whisky e passa a admirar o seu RÓTULO.
ARTUR:
Nem mais, nem menos... Apenas 12!
Artur coloca um pouco de seu whisky em um copo.
Fernando pega o balde cheio de gelo e oferece para Artur.
FERNANDO:
Tem gelo aqui, ó!
ARTUR: Não, gelo não! Prefiro cowboy mesmo... Dá mais tesão!
Artur bebe uma pequena dose de seu whisky.
Fernando fica apenas observando cada gole de Artur, sempre demonstrando uma certa perturbação.
Artur logo percebe a aflição de Fernando e, de uma forma propositadamente SACANA, oferece para ele a última dose de whisky que ainda resta no seu copo.
ARTUR:
Bebe uma dose aí, Fernandinho!
FERNANDO (seco): Você tá cansado de saber que eu NÃO bebo!
ARTUR: Você não bebe, não fuma, não cheira e nem fede... Olha só pra você, cara! Tá sempre assim, todo engomadinho, com essa carinha de nerd punheteiro... É o mais perfeito protótipo de workoholic que eu conheço. Tô começando a achar que tu se faz de morto só pra comer o cú do coveiro.
FERNANDO (irritado): Pára com isso, Artur! A gente ainda tem um monte de coisa pra fazer antes da tua eleição, cara. E não dá mais pra perder tempo!
ARTUR (sarcástico): Ah, Fernando... Pára com isso você, viu! Todo mundo tem uma tara, um... Sei lá, um vício qualquer. Me conta qual é o teu, vai? Fala, cara! Eu sou teu chegado...
FERNANDO (sério e cortante): Vício, Artur, é pra quem pode se dar ao luxo.
ARTUR: Ô, Fernandinho... Pra cima de ‘muá’ com esse papo?
FERNANDO: Eu NÃO tô aqui pra brincadeiras, Artur! Eu tenho metas pra alcançar... Metas que estão ligadas ao TEU sucesso político... (com uma ponta de resignação) o MEU sucesso, Artur, depende do teu!
ARTUR (ainda debochando): Então tá, meu caríssimo! Se é você quem diz isso, já tá dito e não se fala mais nisso. Mas eu confesso que vou ficar bem mais “sussa” no dia que eu te vê totalmente relaxado, chutando o pau da barraca mesmo e com uma boazuda aí do teu lado, fazendo você pirar o cabeção...
FERNANDO (incomodado): Menos, né, Artur!
ARTUR: Ah, por que menos? Você também é filho de Deus e, como se diz por aí, Deus é mais!
Artur volta a saborear o seu whisky cowboy enquanto Fernando continua altamente incomodado com tudo aquilo ali.
ARTUR (saboreando o whisky):
Nossa! Mas isso aqui é tipo primeira classe com destino ao paraíso... É quase um boquete feito por uma boca GULOSA e macia.
FERNANDO (controlando a sua irritação): Boquete... Você só pensa nisso!
Provocativo, Artur fala bem perto do ouvido de Fernando.
ARTUR:
Mas é claro, Fernandinho... Me diz se existe sensação mais louca do que a de sentir o teu PAU rasgando a GARGANTA de alguém?
Fernando engole em seco. E, cheio de cinismo, Artur volta a oferecer uma dose de seu whisky para ele.
ARTUR:
Pega aí, parceiro... Só um tiquinho. Experimenta, vai!
Profundamente perturbado, Fernando começa a folhear vários jornais, tentando mudar de assunto.
FERNANDO:
Você... Você já viu as manchetes de hoje? Todas elas dizem que você lidera com vantagem as pesquisas eleitorais.
ARTUR: Ah! Essa eleição eu já papei... Já me sinto no poder! Até porque não há nada mais maleável no mundo que o senso comum. Mas, pelo menos dessa vez, as massas estão escolhendo o melhor: EUzinho aqui!
FERNANDO: Que humilde você é.
ARTUR: Meu caro assessor, os bons NÃO precisam ser modestos. Concorda?
FERNANDO: Não! Mas eu até que concordo que a tua primeira posição nas pesquisas eleitorais merece sim uma boa comemoração...
ARTUR: Claro! E é por isso mesmo que eu vou comemorar hoje à noite com as gostosinhas que você vai contratar agora só pra mim. Essa festinha no iate vai, ó, bombar, Fernando!
FERNANDO: Iate?
ARTUR: Isso mesmo... Num iate! Imagina só: eu e as gatinhas boas de boquete no meio do mar, em plena luz da lua, na maior pegação...
FERNANDO: Artur... Isso NÃO!
ARTUR (cínico): Isso SIM!
FERNANDO (agitado): Cuidado, Artur! O mar... Ele, ele é sujeito a ressacas, tsunamis...
ARTUR: Jura?
FERNANDO: E isso, na política, já afogou peixes bem mais graúdos que você.
ARTUR: E eu lá quero saber quem botou fogo no mar, Fernandinho... Eu quero mais é comer peixe frito. E, de preferência, que esse peixe seja uma boa PIRANHA.
FERNANDO: Pensa bem, cara... Balada com garotinhas em alto mar nessa altura do campeonato? Olha só aqui, ó... (abrindo novamente a agenda) Tá lotadíssima! Você não pode...
ARTUR (decididamente cortante): Parceiro... Já tá tudo resolvido! Pára de ‘nhém-nhém-nhém’ e contrata logo essas gostosinhas, sacô!
FERNANDO (muito agitado): Artur, me escuta, pelo amor de Deus! Você é um cara superjovem e já tá com tudo na política. Qualquer vacilo, cara, pode afundar de vez o teu barco.
ARTUR: Qual é, Fernando? Às vezes eu acho que você é um marciano ou o oitavo passageiro, sei lá... Parece até que você é de um outro planeta, que entrou na política ontem. Fala sério, né? Qualquer ‘mané’ nesse país já tá cansado de saber que política e sacanagem tão ali, ó, se empanturrando na mesma suruba.
FERNANDO (extremamente agitado): Pára de ser inconsequente, Artur! Se te flagram comendo uma menina de 12 anos é cana na certa... E não vai ter pizza, lasanha, nem McFritas que salve a tua pele. Os caras da imprensa vão cair matando, vão detonar a tua carreira política e o caralho a quatro!
ARTUR: Caralho a quatro... Boa!!! Você me deu uma ótima idéia pra eu praticar com as gostosinhas...
FERNANDO (nervoso): São meninas de 12 anos que mal saíram das fraudas, Artur!
ARTUR (quase tendo uma crise de riso): Porra... Agora só tá faltando você me convencer que o grande culpado de toda essa putaria sou eu. Se eu abro a revista, tá lá a modelinho de 12 anos tirando onda de boazuda numa campanha de refrigerante light; Se eu ligo a televisão, aí me aparece uma típica “Lolita” com uma roupa de soldadinho de chumbo toda enfiada no rabo e cantando “Atirei o Pau no Gato” com voz de recepcionista de motel, né... E sou eu agora o grande lobo mau desse conto da Carochinha pornô? Fala sério, parceiro!
FERNANDO (a beira de uma síncope): Eu lavo as minhas mãos!!!
ARTUR: Fica frio, Fernando! Até porque eu não tô fazendo nada que alguém já não tenha feito antes. Eu tô apenas garantindo o meu futuro político.
FERNANDO: Futuro político, Artur? Saindo com meninas de 12 anos?
ARTUR: Pensa bem, vai! Essas gatinhas vão votar um dia, né mesmo? E é bom que eu já conquiste o voto delas desde cedo...
FERNANDO: Ah, não... Você é um caso perdido! Quer saber, Artur, eu, eu... Cara, nem parece que você é casado com a Bárbara!!!
ARTUR: Porra, Fernando... Vira e mexe, você tá sempre falando na Bárbara. O quê que a Bárbara tem a ver com esse nosso papo aqui, hein?
FERNANDO (bastante nervoso): É que... A maioria dos homens, Artur, com o mínimo de sensatez, daria TUDO por uma mulher como a Bárbara.
Artur se aproxima de Fernando e o ENCARA seriamente.
ARTUR:
E você, Fernando, daria QUANTO pela Bárbara, hein?
FERNANDO (atordoadíssimo): Hã?!?!
ARTUR: Vai, Fernando! Me diz quanto você daria pela Bárbara?
Por um instante, Fernando fica completamente PARALISADO, as palavras lhe faltam, ele transpira de nervosismo. Mas, logo depois, ele se esforça e consegue se recompor.
FERNANDO (bastante sério):
Olha aqui, Artur! Você não tá falando de uma qualquer, de uma dessas vagabundas que se compra por aí a 1,99... A Bárbara é a TUA mulher!
ARTUR: A Bárbara é só casada comigo e nada mais que isso, Fernando... Ela é neta de senador, tem toda uma tradição política na família, tem vários tios magistrados...
FERNANDO: Você não tem noção do que diz, Artur... É impressionante!
ARTUR: Eu tenho sim, Fernando... Você, por exemplo...
FERNANDO (agitadíssimo): Eu o quê?
Agora, Artur avança para cima de Fernando enquanto fala.
ARTUR:
Eu sei que você é doido pra dar uns ‘cata’ na Bárbara... E só não faz isso porque é um cuzão.
FERNANDO: Você pirou de vez.
ARTUR: Admite logo que você adoraria enrabar a Bárbara, vai! E que o teu maior sonho de consumo é meter vara na minha mulher até ela dizer quero mais!
FERNANDO: Isso é o cúmulo, Artur... O cúmulo!!!
Muito calmamente, Artur volta a saborear o seu whisky cowboy.
ARTUR:
Pois eu, se fosse você, nem pensava duas vezes... Eu mandava “bala” nela! (voltando a falar bem perto da orelha de Fernando) Pode pegar a Bárbara, meu brother... Eu dou a maior força! É... Pra mim, ó, demorô! Vocês dois até que combinam... Tem a mesma temperatura, beeem abaixo de zero. (falando num tom maliciosamente debochado) Mete nela, porra! Mas mete de leve, na manha, com o pau lavado e passado... Porque a Bárbara, meu caro... Huuum... Aquela dali é toda fresca, toda cheia de ‘não-me-toque’.
FERNANDO: Eu não tô acreditando no que eu tô ouvindo!
ARTUR: É... Pode crer nisso que eu tô te dizendo, meu caríssimo assessor! A Bárbara pode ser linda, elegantíssima, sofisticada... Mas ela é um GELO na cama... Nem fazer uma boa de uma CHUPETINHA ela se atreve. Ela já me disse várias vezes que acha isso muito seboso, que chega a sentir náuseas só de imaginar qualquer coisa em sua rica boquinha que não seja um BATOM importado. Como você pode perceber, caríssimo, ninguém nesse mundo se salva. Nem mesmo a nossa Bárbara.
Artur bebe todo o whisky restante em seu copo. Depois, ele joga o copo numa lixeira. Ouve-se o som do copo se espatifando.
FERNANDO (apontando para a lixeira):
Puta merda, Artur! Desse jeito, você vai acabar com todo o estoque de copos desse comitê!
ARTUR (apático): Ai, ai, os copos... Copos de vidro quebram, não é mesmo? E que diferença os copos vão fazer na minha vida, meu caro assessor? O que interessa mesmo pra mim é o próximo GOLE, viu!
Humilhado, Fernando pega a lixeira e começa a catar alguns cacos de vidro que caíram pelo chão, numa posição de total servidão.
Artur o observa com o seu ar sempre altivo e sacana.
ARTUR:
Vai fazer a faxina agora, nobre assessor?
FERNANDO (totalmente engasgado): Eu, eu... Eu só não quero que ninguém aqui se corte...
Artur se aproxima de Fernando, olha bem no fundo dos seus olhos e tira a lixeira da mão dele.
ARTUR (imperativo):
Sem faxinas por enquanto! Por que agora você vai pegar o telefone e cuidar logo da contratação das gostosinhas pra minha balada no iate, estamos entendidos?
Na seqüência, Artur entrega o reluzente baldinho com gelo para Fernando em troca da lixeira.
ARTUR:
E não esqueça que as gostosinhas têm que ter a idade do meu whisky...
FERNANDO (ainda engasgado com as palavras): Mas Artur... Eu...
ARTUR: Nem mais, nem menos que isso... Doze anos é a DOSE certa!
Absolutamente atordoado, Fernando pega algumas pedras de gelo do reluzente baldinho e as ESFREGA na GARGANTA.
Com um bocejo de total indiferença em relação ao seu assessor, Artur SAI de cena.
Logo depois, Fernando AVANÇA na garrafa de whisky 12 anos de Artur e bebe todo o seu conteúdo no GARGALO, quase como num boquete, engolindo até a última GOTA os RESTOS de um VÍCIO sufocado!
FERNANDO (entre a paixão e o rancor): Vai, Artur... Me derrete por dentro, vai! Eu quero matar a tua sede, Artur... Toda a tua SEDE!!!
BLECAUTE TOTAL
ZS

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

CONTO sem FIM


Os meus olhos estavam completamente arregalados quando eu cheguei de madrugada...
Focados em um ponto que ninguém sabia ao certo...
Olhos firmes mas perdidos em um só lugar...
OLHOS sonâmbulos.
É... Foi isso que o zelador do meu prédio disse praquele jornal sensacionalista.
Ele também disse que eu peguei o elevador, andei pelo corredor e entrei no meu apê.
Ele viu tudo isso pelas câmeras do circuito fechado.
E disse só isso e nada mais.
Foi quando todos escutaram o meu grito no apartamento do andar mais alto...
E eu não estava mais lá...
Estava na área de lazer do meu prédio...
Bem perto daquela piscina com pastilhas cor verde-bandeira...
Estava completamente nua...
O corpo parecia relaxado...
Como numa meditação conduzida por um mantra insuportavelmente silencioso.
E todos do prédio apareceram em suas janelas...
Todos olhavam com curiosidade...
Todos queriam saber o que estava acontecendo no meu apartamento...
E também na área de lazer.
Aqueles olhares...
Os olhos de todos...
Eles me acusavam:
“Só podia ser ela, aquela estranha...”
Meus vizinhos, minha tribo, meu mundo...
Todos eles me condenando, me olhando com nojo...
Pena talvez!
Mas pena de quem? De mim?
Me vi no centro daquela área de lazer completamente despida...
Com aqueles olhos de todos ‘secando’ minha nudez...
Reprovando a minha quintessência.
O zelador, coitado, não sabia o que fazer.
Ele veio correndo ao meu encontro...
Trazia uma toalha com um forte cheiro de sabão em pó...
Uma toalha recém-lavada e secada...
Cheiro de coisa nova, daquilo que pouco foi usado...
Ele cobria a minha falta de vergonha com aquela toalha seca com cheiro de Omo.
Fiquei ali tentando rememorar o ocorrido.
Só me lembro de ter penetrado num subterrâneo.
Mas ali não era a área de lazer?
É que eu sempre gostei de visitar cavernas...
Seja lá onde for.
Até mesmo ali, na beira da piscina.
De repente, ouvi o som de uma sirene...
Um barulho interminável, repetitivo, irritante...
Homens de branco estavam me recolhendo numa maca...
Limpavam meu sangue.
Fecharam a porta da ambulância...
Luzes, barulhos, gritos...
Todos querendo sara a minha dor
Que dor?
Já não havia mais dor.
Lembro que estava em algum lugar onde podia ver tudo...
Como um clipe ou trailer de um filme trash...
Eu ali, protagonista de tudo aquilo...
Via o meu passado...
E o meu futuro?
Cadê o meu futuro, hein?
Essa história toda, onde finalmente sou a protagonista, não tem fim?
Acho que NÃO!
Não sei como acabou essa história...
Só sei que já não sinto mais dor...
E isso pra mim BASTA!!!

Anjo Mutante

Queria tanto que meu anjo mutante me carregasse para o seu fel
Tão amargo como o mel da minha mandinga
Tão doce como o seu hálito de nicotina
Tão mutilado como as suas asas...

Tô pronto pra me contaminar com a sua cura irremediável
Prontíssimo pra me embriagar em sua saliva nociva...
Quero perder meu tempo com ele SIM
Desvendar o segredo de sua mutação
Entender porque esse anjo desceu do céu só pra me tentar
VAI DE RETO!!!

Mas não agora...
Ainda temos tempo pra perder com devaneios mundanos.
Os livros de Clarice
A poesia de Rimbaud
Os filmes do Almodóvar
A ousadia de Gael
Os textos de Genet
O toque de Chico
A masturbação de Madonna
A vibe da Björk...

Nesse cenário em decomposição
Fica bem mais fácil assumir todos os pecados
Que toda a humanidade não ousou cometer.

Daí a gente surta em nossos loucos delírios
Exagera o tédio do nosso cotidiano
Esculacha as nossas mais estúpidas aberrações
Mente sobre coisas que não fizemos por pura falta de imaginação.

E entre os espaços dessas nossas intermináveis reticências...
Ponto por ponto a gente se absorve de frente e verso
Sugando um a energia do outro
Vampirizando toda essa fome canibal
Cheios de Prosas e Prozac

Pois é o caos que nos seduz
O obscuro nos deixa bem mais fortes.
E chega de inocência!
Não temos mais tempo a perder nessa claridade sem foco.

Mas aí vem o medo.
Como somos covardes!

Ah, meu anjo caído...
Eu ainda apago essa tua luz em resistência
Ainda te aprisiono no meu planeta sem gravidade
Juro que ainda sufoco esse teu arzinho blasé.

Eu quero SIM escalar esse teu corpo cavernoso
Num rapel sem cordas e sem abismos
Alcançando esse teu topo, tua zona de perigo.
Declarando guerra dentro dessa tua Faixa de Gaza
Só pra você me atingir com a tua arma biológica.

E desnudado de minha absoluta falta de vergonha
O meu despudor se abre inteiro em minhas meias palavras

Meu anjo maldito...
Vou deixar teus olhos vendados
Te deitar no meu tapete mágico manchado de sangue cenográfico
Devorar esse teu fruto permitido até o caroço
Lambuzar o teu corpo com um hidratante Vitoria’secret
Depois estimular o teu tesão com a cera da vela do meu pavio curto.

Uvas, morangos, hortelã, gengibre
Galhos de arruda e pactos de pus
Tudo isso ao som de um tango sampleado
Aí eu vou e registro os nossos gemidos naquele meu gravador portátil
Só pra mostrar pros outros os sons dos nossos corpos fechados
Sons orgânicos...
BARBATUQUES
O Olodum que despertas em mim quando miro esse teu olhar ESCANDALOSO.

Por isso mesmo, exijo agora que você me fale tudo
Mas apenas o que eu quero ouvir
Mesmo que mintas, não importa
Eu também sei transformar mentiras em orgasmos múltiplos

Só que já é um pouco tarde demais
Tô viciado nesse teu ecstase
Na tua cápsula do medo
Esse teu Viagra misturado com Red Bull...

Minha Fênix Negra já está pegando fogo
Quer te pregar alguma peça...
Te tirar todas as peças...
Te escrever várias peças
Ser tua única estréia
Repetir várias vezes a mesma cena
Até chegar ao último ato de um ato falho
Tragédias, comédias...
Não interessa a máscara.
Só me apetece aplaudir calorosamente a nossa convincente atuação
Repleta de isonomias e fugas.

Depois de tanto me perder nesse teu paraíso achado
Desço até as profundezas do teu inferno astral...
Pois é lá que eu me salvo com a tua redenção
E finalmente te aprovo e provo
Que o céu não pode esperar
Quem quer morrer de amores urgentes agora.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

MINA de SAMPA

E eu tenho certeza que o Chico fez essa musiquinha logo abaixo pra ela. Ninguém tira isso de minha cabeça ajuizada. Tio Chico deve ter esbarrado com ela no dia que essa MINA made in Berrini desviou para ela todas as atenções das vitrines de Le Bon Marché, em Paris.
Ela mesma, em carne, músculos e barriga tanquinho, a garota que saca tudo de vinhos franceses, odeia vinhos chilenos e brasileiros pq – de acordo com a sua inquestionável opinião – eles simplesmente não existem, não tem savoir-faire como ela.
E nem se atreva a discordar dela, pois quando ela fica nervosa balança os braços descontroladamente, até parece a hélice de um Learjet desgovernado querendo sair pela esquerda do Campo de Marte.
Ah, ela já foi no show do Menudo e do RBD, mas ninguém sabe disso, ninguém viu. Ela tb tava no show da Madonna e ouviu o da Björk pelo meu celular, só que ela nega de pé junto.
E ela se recusa a botar o seu bonde pra dá um rolê nos Lençóis Maranhenses. É que ela odeia frutos do mar e cheiro-verde (ou coentro, como ela mesma chama). Mas ela gosta de Guaraná Jesus. Portanto, ela tá perdoada de todos os seus não muito-poucos-pecados da carne!
Mas o melhor de TUDO: ela faz teatro, cinema, curtas experimentais e etc, só pra não morrer de tédio a beira de sua piscina quase olímpica enquanto escuta a sua coleção de K7 com sambinhas do Premeditando o Breque. Enfim... Ela é uma típica DIVA perdida nessa cidade infinita. Mas ela recusa essa personagem. Não quer ser diva de ninguém, não quer ser pop... Ela é atriz e só. E das beeeem trágicas. CLITEMNESTRA FASHION WEEK!!!
Ai, ai... Essas DIVAS... São tão temperamentais, adoram protagonizar um piti e estão sempre gritando: "Se liga, ZEN!" Contudo, o que seria de minha inocente existência sem ela, hein? Se a tia Rita é a + perfeita tradução de Sampa pro Caêzinho, eu não tenho a menor dúvida de quem é a MINHA.
Pois é, ô MINA de Sampa... Vou telefonar pro Chico agora e perguntar pra ele o que foi que vc fez com o coitado pra ele te fazer essa canção aí:

"Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual

Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
E a cada vez que o perdão
Me clama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz

Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coraçãoe quando o meu coração
Se inflama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim."

CorpOS CavernosOS

AbaiXo, alguns dados de minhas pesquisinhas pra peça “Corpos Cavernosos”, que já estou finalizando. E essa peça não fala estritamente de transexualismo, vai bem + além, fala de DESEJO.
Na verdade, o transexualismo em minha peça serve apenas como pano de fundo para a trama.
E eu tô adorando escrever.
Tah ficando incrível, pode apostar!
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QUESTÃO TRANSEXUAL

De todas as manifestações da sexualidade, o TRANSEXUALISMO é, sem dúvida, aquela cuja a compreensão representa um dos maiores desafios teórico-clínicos.
..
O estudo do transexualismo nos obriga a repensar fundamentalmente as bases da construção da psicossexualidade e, conseqüentemente, a reavaliar o conceito de normalidade.
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O sentimento de ser do outro sexo, que os transexuais afirmam possuir, é provavelmente tão antigo quanto qualquer outra expressão da sexualidade.
...
Da mitologia greco-romana ao século XIX, passando pelas mais variadas fontes literárias e antropológicas, encontramos relatos de personagens que se vestiam como membros do outro sexo, dizendo sentir-se como do outro sexo.
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Aquilo que hoje – do século XX pra cá – é designado sob o termo de "transexualismo" não é próprio nem da nossa cultura nem da nossa época: o que é recente é a possibilidade de "mudar de sexo" graças às novas técnicas cirúrgicas e a hormonoterapia.
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O sofrimento psíquico do transexual - que pode levar o sujeito à auto-emasculação e até mesmo ao suicídio - se encontra no sentimento de uma total inadequação entre anatomia e identidade sexuada.
..
Essas pessoas manifestam uma exigência inflexível de adequação do sexo, seguida pela reivindicação de mudança do nome, e de retificação da certidão de nascimento.
..
Evidentemente, seria um grave erro acreditar que a etiologia da inadequação entre corpo anatômico e sentimento de identidade sexuada seja a mesma para todos aqueles que se dizem transexuais: a aparente semelhança entre os discursos manifestos pode camuflar uma grande diversidade de discursos latentes, senão recalcados, e falar do "transexual típico" é tão absurdo quanto falar do "heterossexual típico" ou do "homossexual típico".
..
Existe uma grande confusão no imaginário popular, mas também entre os próprios sujeitos que demandam a cirurgia corretiva, quanto a distinção entre o transexual, o travesti, alguns homossexuais e outros indivíduos que apresentam essa mesma reivindicação.
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Muitos daqueles que se dizem transexuais reproduzem de maneira caricatural os estereótipos do homem e da mulher.
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O pólo extremo desta perspectiva se confunde com uma caricatura trágica da mulher "fabricada" ao preço elevado de cirurgias estéticas que "feminizam" o rosto e que transformam, quando não mutilam, o corpo.
..
Acontece também que a deriva na psicose, ou o suicídio, seja a única saída possível quando o sujeito se dá conta do erro cometido – muitas vezes com o apoio dos "profissionais da saúde" – e da irreversibilidade do estado no qual se encontram: a viagem na "trans-sexual" não oferece passagem de volta.
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No transexual não encontramos a dimensão fetichista presente no porte de vestimentas femininas, como é o caso do travesti: este último, ainda que possa ter a ilusão de que, usando roupas de mulher, ele ficará muito feminino, sabe muito bem que ele é um homem; não há discordância entre a anatomia e o núcleo da identidade sexuada.
....
Nas homossexualidades, cujas problemáticas de fundo são extremamente variáveis, a identidade sexuada do sujeito não é questionada.
...
Fato digno de nota: os transexuais recusam energicamente a serem confundidos com homossexuais. Segundo eles, sua sexualidade é, definitivamente, heterossexual, o que é coerente com a identidade sexuada que dizem possuir.
..

Desde a primeira cirurgia de redesignação sexual oficialmente comunicada – em 1952, na Dinamarca – temos assistido a uma verdadeira "revolução cultural". Tanto na Europa, quanto nos EUA, o fenômeno transexual tem tomado uma certa envergadura e, aos poucos, os transexuais têm sido mais ouvidos em suas reivindicações: em alguns países europeus as despesas médicas da cirurgia de redesignação sexual correm por conta do governo; os transexuais ocupam diversas posições na sociedade, publicam suas bibliografias, obtém a mudança de Estado Civil, etc. Na Holanda existem associações, consideradas de utilidade pública, que oferecem orientação aos sujeitos que se sentem transexuais, para que eles possam encaminhar melhor suas demandas. Além disto, estas associações garantem a (re)adaptação social do sujeito, através de contatos com a família dos transexuais e de visitas à seus locais de trabalho. Tudo isto reflete um esboço de reconhecimento social deste fenômeno ainda que um tal reconhecimento coloque profundas questões éticas e jurídicas.

No Brasil, a inexistência de uma legislação médico-legal específica sobre o assunto condena muitos transexuais a uma vida na clandestinidade. De fato, pode-se facilmente imaginar as dificuldades que estes sujeitos têm que enfrentar nas situações cotidianas mais banais – que, por vezes, terminam na delegacia de polícia – onde eles devem mostrar documentos de identidade nos quais a fotografia, o nome e o sexo estampados estão em total desacordo com a aparência daquele, ou daquela, que os apresenta. Muitas vezes, esta situação é agravada pelos resultados catastróficos de intervenções cirúrgicas fracassadas que deixam seqüelas irreversíveis. No plano teórico, não há um consenso entre os pesquisadores quanto a gênese do transexualismo, e as explicações variam desde uma forma de psicose até a um fenômeno ligado a fatores sócio-culturais. As propostas terapêuticas são igualmente diversas: terapia psicanalítica, comportamental, tratamento psiquiátrico e intervenção cirúrgica. Talvez, a única certeza que temos é a de que, em se tratando do transexualismo, toda prudência é recomendada e qualquer forma de ajudar a estes sujeitos, deverá levar em conta a particularidade do trajeto transexual de cada um.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

En Passant...

Por hoje é só! Talvez passe por esse BloGuete nesse feriadão independente. Mas, antes de postar novos textículos chamuscados, acho que meu bonde vai dar um rolê no melhor estilo bate-e-volta pelas praias do litoral norte com a minha razão de insônia – se fizer sol no feriadão, é claro, pois sem sol não rola. Já posso renovar o meu bronze, pois a minha tattoo não tah + zoada. Ou seja, o mar tá pra peixe... E a minha maré tá altíssima! Pois como diz o Paulinho: “não sou eu que me navega, quem me navega é o MAR”.

Alôca by Marina Lima

Eu esTava Lá na LôCA É, na Lôca, aquele inFerNiNHo
E tOdO muNDo FAlAndo...
faLaNDo aO mESMo tEmPO
E tAvA fICaNDo TuDo tãO HiSTériCO
MaS eU NãO liGo
NãO tô NeM Aí
EU tOpO ToDaS
Mas, cuiDADO, aMoR
PoRqUe a LuA tá cHeiA
E a mINHa MaRé também!!!

O Sabor da Melancia ao QUADRADO

Cara... Eu vi num site noticioso agorinha mesmo! Estão produzindo melancia QUADRADA. Isso mesmo: melancia compacta, sem sementes e num formato perfeitinho pra caber dentro de qualquer geladeira.
E vcs já viram aquele filminho tido como musical-erótico-quase-pornô intitulado “O Sabor da Melancia”? Imagina só o que aquele oriental-protagonista faria com uma melancia transgênica? Ou seria transgênero? What... Uma melancia-traveca? Como assim, Magali...
E o mesmo atorzinho que faz esse filme, “O Sabor da Melancia”, protagoniza um outro, chamado “O Rio”, que é incrível. Ele é um carinha que adora visitar saunas de pegação gay. Só que, um belo dia, ele encontra o próprio pai em uma das saunas. E como a iluminação desses ambientes de pegação é mínima, eles – pai e filho – só se reconhecem depois de se catarem. E o pai ainda dá uma bronca no filho. Resumo da fita: uma coisa tipo em família!!!

"BAREBACK": O QUE É ISSO?



Tema da minha próxima peça!!! Já foram feitos alguns filmes com essa temática, um documentário bacanérrimo foi até exibido no Mix há alguns anos. Mas o meu foco não será o vírus do HIV. Vai ser qualquer outro tipo de vírus, alguns desses aí que costumam causar mó tilt em qualquer desses laptop’s comprados em N vezes ZENjuros nas Lojas Marabrás. Enfim... De qualquer forma, essa matéria abaixo é mó interessante.

"BAREBACK": O QUE É ISSO?
Dr. Bernardo Lynch de Gregório Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta São Paulo/SP
O Termo "bareback" ficou internacionalmente conhecido como gíria comum para a prática sexual (penetração) sem o uso de preservativo. O termo inglês literalmente significa "traseiro careca" e foi criado por alguns grupos de homossexuais masculinos dos Estados Unidos e da Europa, que se recusam a usar "camisinha" em suas práticas apesar de toda a enorme campanha internacional feita para prevenção da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e demais doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Com o tempo, o termo passou a englobar outras práticas sexuais igualmente não seguras, como o contato direto com o esperma e secreções corpóreas. As razões que levam estas pessoas, atualmente já não apenas homossexuais masculinos, a praticarem o chamado "unsafe sex" (sexo inseguro) são as mais variadas possíveis e expõem cada vez mais indivíduos à crescente epidemia mundial. Avaliar estas causas e os argumentos apresentados, a favor e contrários, parece-me fundamental para uma conscientização maior do público em geral sobre os riscos que o "barebacking" inclui.
Com o início do Novo Milênio, toda uma geração que jamais havia tido contato direto com a AIDS atingiu uma faixa etária sexualmente ativa. Esta geração cresceu sendo superbombardeada pelas campanhas em favor do uso de preservativo e desenvolveu "imunidade" a elas, imaginando que a AIDS não deva ser "um monstro tão feio quanto pintam" ou que deva ser coisa de "viado". Toda esta nova geração se expõe aos riscos da AIDS e de outras DSTs por pura ingenuidade e desinformação. Toda uma geração alienada ainda por cima ignora sistematicamente a possibilidade de estar infectada, fechando seus olhos para possíveis sintomas, recusando-se a fazer testes e voltando suas costas para o tratamento anti-retroviral. Todos estes jovens, independentemente do sexo e da opção sexual, podem, a qualquer momento, desenvolver a AIDS e chegar a pontos irreversíveis da doença. Muitos morrem por isso...
Ao mesmo tempo, a população mais velha passou a enxergar a AIDS como uma doença desprovida de perigo e a imaginar que caso alguém seja infectado, a medicação anti-retroviral "dará conta do recado". Era a volta do "barebacking". Principalmente nos Estados Unidos e em especial em Nova York, orgias sexuais conhecidas como "conversion parties" (festas de conversão) começaram a acontecer e a se tornar a "última moda" em matéria da sexualidade do século XXI. Nestas "conversion parties" o grande objetivo assumido e descarado é o de tornar uma pessoa até então HIV-negativa em HIV-positiva.
E qual é a razão que leva alguém a querer se tornar soropositivo? A razão é simples: a soropositividade é vista como uma libertação do sexo seguro, possibilitando uma volta incondicional à grande abertura sexual experimentada nos anos 70. Um soropositivo poderia, por este raciocínio, jogar para o alto as "camisinhas" e fazer tudo o que tiver vontade com quem bem entender. Depois, bastaria tomar direitinho sua medicação. Este raciocínio é um grande absurdo! Um soropositivo não está nem de longe liberado do "sexo seguro". Em primeiro lugar, este indivíduo pode ser fonte de contaminação para desavisados (que são muitos hoje em dia!). Em segundo lugar, mesmo se ele se relacionar com outros soropositivos, pode haver nova contaminação, acarretando aumento da carga viral e desencadeamento de queda de imunidade e sintomas. Em terceiro lugar, pode haver a aquisição de um tipo diferente de vírus do que ele já possuía inicialmente, por vezes resistente à medicação anti-retroviral em uso. Finalmente, há também o risco de se contraírem outras DSTs, tais como a sífilis, a gonorréia, o molusco contagioso (HPV), o cancro mole e tantas outras, nem sempre de fácil tratamento e nem sempre também isentas de riscos graves para seus portadores.

sábado, 10 de novembro de 2007

Mise-en-scène

“Jogo de cena” é + uma sacada genial do maior documentarista brasileiro... Ele mesmo, o Eduardo Coutinho. No cardápio, atrizes da ‘catiguria’ de Marília Pêra, Andréa Beltrão, Fernanda Torres e + outras ilustres desconhecidas. Eu vi e achei bacanérrimo.

O + bacana desse documentário é constatar que, por melhor que seja uma atriz, a sua interpretação + convincente nunca supera a de um personagem real. Pelo menos quando as duas coisas são postas lado-a-lado. No caso dessa sacada genial do Coutinho, rola outros depoimentos com atrizes não famosas se passando por figuras reais. Daí fica o mistério: mas será um caso real ou apenas uma encenação? No final, fica a sensação de que todos nós somos personagens de nós mesmos!



O filme: Atendendo a um anúncio de jornal, oitenta e três mulheres contaram suas histórias de vida num estúdio. Em junho de 2006, vinte e três delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano, atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas pelas personagens escolhidas.o diretor: Jogo de Cena é o décimo longa-metragem de Eduardo Coutinho, um dos maiores documentaristas brasileiros em atividade. É também a sua quinta parceria com a produtora Videofilmes. Depois de um início de carreira dividido entre a ficção e o documentário, Coutinho optou pelo segundo a partir de uma profícua passagem pelo programa Globo Repórter, na década de 70. Cabra Marcado para Morrer (1964-1984), seu acerto de contas com a História e com um projeto do passado, tornou-se um grande clássico do cinema brasileiro. Mais recentemente, iniciou uma fase muito produtiva com a realização seguida de cinco filmes em seis anos: Santo Forte (1999), Babilônia 2000 (2000), Edifício Master (2002), Peões (2004) e O Fim e o Princípio (2005). A solidez do método de Coutinho e sua sensibilidade para ouvir pessoas comuns são fruto de laboriosa reflexão sobre o seu ofício ao longo de inúmeros documentários em vídeo realizados nas décadas de 80 e 90, entre os quais se destacam Santa Marta: Duas Semanas no Morro (1987) e Boca de Lixo (1992).

120 dias em Sodoma

Por incrível que pareça, finalmente eu fui assistir os “120 dias em Sodoma” dirigido pelo Rodolfo Garcia Vázquez e realizado, óbvio, com a trupe sempre antenada do Satyros. Algumas pessoas sempre me falavam dessa peça, diziam que era a minha cara, que lembraram de mim quando assistiram... Eu não sei pq. Juro por God. Mas eu fui e achei a peça bacanérrima, deliciosamente debochada, com uma sexualidade meio lúgubre e cheia de sacações incríveis, como a cena final, com aqueles corpos nus estendidos no chão, totalmente estagnados, impotentes e com um sorriso artificial feito por aquele instrumento odontológico que não sei o nome. Mas o efeito que deu foi do caralho. Resumo da ópera: a putaria que a gente vive aki no Brasil tá bem no clima do Marquês de Sade. Enfim, aquele blábláblá que já deu no saco (ui!), mas que ninguém faz nada pra mudar a situação.
E, ao contrário do que muita gente possa supor, não sou um profundo conhecedor da obra do Sade. Curto muito a temática do erotismo, da sensualidade, do tesão... Sou falocêntrico mesmo e assumo (hehehe). E se vc não sacou o que é esse falocentrismo, vem de FALO, brow... Isso mesmo que vc tá pensando já quase socando uma bronha: “é pau, é pedra, é o fim do caminho...”
Enfim... Li pouca coisa do marquês de Sade e já vi outras peças inspiradas na obra dele. Mas acho esse cara uma figura fascinante. Aquele filme “Os Contos proibidos” dá uma vaga idéia de como o cara era pirado. Quando proibiram a entrada de papel em sua prisão, para que ele não + escrevesse a sua obra, Sade passou a escrever em seus lençóis e roupas, que depois entregava para uma lavadeira, interpretada brilhantemente pela Kate Wislet. Daí tiraram os lençóis e ele começou a gritar com a própria voz. Cortaram a língua do cara. E ele não teve dúvida: continuou escrevendo com os próprios excrementos. Proibiram a entrada de comida, para que ele não defecasse mais. Sade passou a escrever a sua obra nas paredes da prisão com o próprio sangue. Ou seja, o cara não conhecia a palavra LIMITE! Era o cara e ponto!
E tem muito playboyzinho tirando onda de descolado e putinha-dos-Jardins pagando de up to date que acham que ser sádico é simplesmente comprar chicotinhos em sex shop da Augusta antes de se jogar no Vegas e na Lôca. Então, tá! Vai acreditando, gata borralheira, que o mundo é a Oscar Freire, o Pátio Higienópolis e férias de julho em Ibiza!
E eu não sou sadomasô, cara-pálida, apesar de minha coleção de algemas (essa excentricidade é apenas manifestação de um transtorno tripolar que o meu analista junguiano acabou de classificar como complexo de capitão Nascimento). Eu nunca fiz essa linha pit-lessy. Sou tipo Madame Bovary, romântico, com os pés no mundo da lua... Lua e maré cheia, tá! E tem +: Gosto de carinho, cheirinho no cangote, cosquinha no dedão do pé... E não falo + de minha intimidade. Hehehe!
E + uma vez, parabéns pro povo dos Satyros. Eles arrasam, são incríveis! O Rodolfo arrebenta. E o Ivan Cabral – a minha branca de neve preferida - é um fofo. Os dois são DEZ!!! A maratona teatral das Satyrianas prova como esses caras vêm dando mó gás na cena de Sampa. E sem deslumbramentos, com o pé no chão, muita ousadia, criatividade e, o que é + importante, bastante TESÃO.

“O teu amor é uma MENTIRA que a minha vaidade quer”

O filme coreano "Lies" vai além de "Império dos Sentidos": é forte, violento e com muito sadomasoquismo. Uma verdadeira dupla do barulho: ela, uma adolescente de 18 anos; ele, um escultor de 38. J. e Y. são os personagens centrais de "Lies", um filme coreano que lembra bastante o "Império dos Sentidos", de Nagisa Oshima. Mas “Lies" talvez seja pior, no sentido de + forte, que o seu antecessor, pelo fato de contar com muita pancadaria. Isso aí: é sadomasoquismo o tempo inteiro. A menina Y. perde a virgindade com um homem, no caso J., a quem conhecera pelo telefone. A partir daí os dois fazem um sexo cada vez mais sofisticado. O filme no cinema é uma loucura, literalmente. A platéia quase sempre passa mal. Uns de nojo, outros de excitação, outros de perplexidade. Mas a boa novidade é que este filme de Jang Sun Woo, baseado em um livro homônimo, já está disponível em vídeo. "Vou bater em você até morrer", diz J. à amada. Parece até a cena de estrangulamento do antecessor "Império dos Sentidos". Aliás, essa temática da violência e do sexo não é nada estranha no campo das artes eróticas. Basta lembrar da personagem feminina, ainda de "Império dos Sentidos", que cortou o sexo do namorado para gozar mais e mais. Delícia... hehehe... Mas fazer o erótico - ou como queira, pornográfico - é bem difícil e, por isso mesmo, "Lies" é um senhor filme.

"Belle de Jour"



Algumas belezas são eternas. E já foram eternizadas, inclusive, no cinema.
E vamus combinar que vale a pena ver de novo o filme "Belle de Jour", de 1967, que mudou a história do erotismo mundo afora...
“Sempre é hora para assistir novamente "Belle de Jour", filme de 1967 de Luis Buñuel. Isso porque ele guarda segredos para além do óbvio de uma mulher que sai em busca de suas fantasias sexuais. O filme é isso, mas é isso aliado ao surrealismo, e aos movimentos da personagem Sevérine que influenciaram a obra erótica posterior no mundo inteiro.
"Belle de Jour" é como um quadro de René Magritte, o "Le Viol" de 1934. Nele, o sexo da mulher vai até a cabeça e o ânus até a boca. E Séverine é mais ou menos essa mulher que troca uma vidinha estável, para estar na rua e nos braços de muitos homens.
Surrealistas são os seus sonhos, e aí mais uma alegoria a Magritte. Os passos de carruagem. O sadomasoquismo e todas as "bobagens" que passam pela cabeça da personagem não podem ser desperdiçados.
Para quem lê o filme como "a dona de casa que vira puta" está na hora de revê-lo com todas as suas minúcias. Reparar também que não tem música (o que traria muita informação para o conteúdo). Seus ruídos são fantásticos, assim como os parceiros de cama de Catherine Deneuve.
Vamos pensar o erotismo a partir de "Belle de Jour" pois ele tem muito a nos contar.

Vampiros de Papel: uma relação de cumplicidade

Consta do mito de Drácula que o vampiro não pode entrar numa casa sem antes ter sido convidado: depois dessa primeira vez, contudo, pode entrar sempre que quiser. Este aspecto da lenda é uma metáfora sobre a relação de cumplicidade e ajuda a decompor o mito contemporâneo do marketing. “Só é possível iludir quem manifesta o anseio de ser iludido, só é possível manipular quem desejou ardentemente ser manipulado” (La Boétie).
O marketing jornalístico não manipula a curiosidade do público, pois lhe falta poder para tanto. Manipula sim, a atribuição de uma curiosidade ao público e fica à espera da sua resposta, que será um convite ou uma proibição. Find a need and fill it, diz o adágio comercial americano, e é quase isso que a curiosidade pública diz todos os dias aos jornais. I am a need, fill me: quero ser iludido; quero receber de manhã o vasilhame da verdade pasteurizada e engarrafada; quero satisfazer minha paixão pela fofoca, mais ou menos sublimada mas sempre fofoca; quero me colocar sob o céu diáfano da ideologia; quero que o jornal me diga o que é a verdade e o que não é, o que está certo e o que está errado, por que a idéia de não existi a “verdade” nem o “certo” é intolerável para mim e não posso conviver com ela. Preciso ter certezas como preciso de um deus, cristão, muçulmano, seichonoiê. A força dos jornais é infelizmente o espelho da minha fraqueza, sou vampirizado na ideologia.
Porém, exijo alguma coisa em troca. Quero ética, por exemplo, no mundo público do qual os jornais são as portas (agora sou eu – leitor – o vampiro que aguarda o convite para entrar); me agrada assistir, no carrossel do noticiário, ao espetáculo estimulante da flagelação moral, aliás conveniente posto ser necessário que alguém seja culpado para que todos sejam inocentes. Não tem problemas: os jornais providenciarão um escândalo por dia para que eu, como nas touradas, me deleite numa catarse de sonâmbulo. Quero que o meu jornal seja destemido; ele saberá dar a impressão de que é; quero que ele seja independente; é pra já, ele colocará a independência no seu dístico; quero que ele seja imparcial; ah, pois não, a imparcialidade será o evangelho que ele vai pregar com toda a manha. O hábito é uma espécie de tensão entre a necessidade e a liberdade. Sintomaticamente, nós todos somos leitores de jornal por hábito.
Otávio Frias Filho

THELMA em TRANSE

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Por onde Thelma andará agora?
Que fim levou a Thelma?
Thelma foi abduzida
Raptada por ET’s
Contatos imediatos de 40 graus com Thelma
Ela foi chipada
Thelma Linhas Aéreas

Thelma se perdeu num buraco negro
Marte... Vênus... Lilith

Ela está dançando com os meteoros
Patina pelos anéis de Saturno
Faz pompoerismo com os cometas
Flutua com as estrelas
Thelma goza outras galáxias
Suruba no firmamento

E as suas paixões?
São como batatas quentes
Que ela descasca com os dentes
Tempera com pimenta
Depois joga no fogo
E queima...
Como a THELMA QUEIMA.

Enquanto ela escuta “Je taime mol non plus”
Rasga a roupa num uivo só
O suor encharca seu corpo por inteiro
Seu sexo umidece por completo

Francamente, Telma...
Thelma Franco
Thelma em transe
Thelma com H
Thelma Lipp
Thelma Livre
Thelma eu não sou gay

Seus desejos são pelos anjos caídos
asas soltas na marola
Na veia, o tesão
No perfume, a volúpia
Nos hormônios, champanhe estourado

Todos à mesa
Thelma será servida ao molho pardo
Devorem a sua fartura
Chupem o osso
Bebam o sangue de Thelma
Prato Feito
carne forte
Fome Saciada
E Thelma lambe os beiços

Thelma faz rapel
Escala o céu da boca
Sobe pelas paredes
De um desejo e mil sentidos
Mas Thelma continua bailando com o cosmo
Trepa com as divindades
Sexo tântrico
Kama Sutra
Voyerismo
Quadros e esculturas
Thelma e a sua arte

E ela ainda se faz de tonta
Com aquela cara de quem vive num outro plano
Mas Thelma apenas se permite
Embrulha-se em lençóis freáticos
Embrenha-se em Matas Virgens
Se jogo no olho do furacão

Thelma sempre fora de órbita
Os planetas em ereção
Atraídos pela gravidade de Thelma...
Thelma em cena
Apetite desmedido
Vaca sagrada...
Mãe que o peito doa a todos
Caçadora...
Bacante...

Quando Thelma passa
o Diabo agradece
Ela provoca o pecado
Incita a punheta
Suspiros, sonhos, babas-de-moça...
Doces, recheios, coberturas...
E Thelma simplesmente se lambuza
..
.
Pois é... O TeXtículo eu fiz pra minha amiga Thelma Franco. Quem conhece essa figura - acho que quase todo mundo nessa cidade surtada a conhece - sabe muito bem do que eu tô falando. Thelma é Thelma, uma figura maravilhosa, bacante, sempre muito "viajandona", mas totalmente do bem e naturalmene sensual.
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Ela me disse que adorou e eu adoooro Miss Thelma. .

"Uma História das Orgias"

Desde que o mundo é mundo, o sexo sempre esteve na ordem do dia. O livro "Uma História das Orgias" conta tudo isso e mais um pouco...

"Pense-se numa vida em que a pessoa se empanturra duas vezes por dia e nunca pode se deitar sozinha à noite, para não mencionar todas as outras práticas que acompanham esse estilo de vida", diz Platão em referência à vida libertina na Grécia Antiga. A afirmação está no ótimo "Uma História das Orgias", do escritor inglês Burgo Partridge, recém-reeditado no Brasil.
O livro tem preciosidades que vão desde a época dos gregos ao século 20. No prefácio, o autor define: a orgia é uma pressão crescente que não pode ser suportada, uma tensão que exige uma liberação urgente. E assim vai narrando as práticas pelo mundo.
Na Grécia, por exemplo, a cidade de Corinto tinha a população mais devassa. Ainda lá, realizavam-se as afrodisías, festivais em honra de Afrodite, onde prostitutas e "heteras" nunca deixavam de comparecer.
Aí vêm homossexualidade, bissexualidade, o amor entre o homem mais novo e o mais velho, e o conceito do amor ligado ao belo nessa sociedade.
Mudando para Roma, as orgias se destacam pela violência, coisa inexistente na Grécia, por exemplo. Em Roma, havia uma obsessão pela crueldade, tinha de haver dor: "Bata para que ele sinta que está morrendo", diz Calígula.
Os bacanais nasceram no sul da Itália, tinham aprovação oficial e também estavam ligados à violência e à atividade sexual. Os banquetes eram incríveis, grandes quantidades de comida e bebida que ali eram servidas. Os imperadores romanos faziam parte de toda essa cultura da orgia.
No último capítulo do livro, destinado ao século XX, Partridge afirma: "A era atual é a de liberdade. Está absolutamente claro que muitos cidadãos do século XX sofrem de um mal-estar em comum, mas o que se deve examinar é até que ponto esse mal-estar está diretamente associado com a nova moralidade ou é causado por ela."

Isabelle Huppert

Essa dica é a nossa cara: Para quem gosta do tema, o filme "Ma Mère" e o livro "O Padre C" não vão decepcionar... “Sem dúvida, um filme bem controverso de uma relação entre mãe e filho, digamos, um pouco edipiana. Trata-se de "Ma Mère", de Cristophe Honoré, um diretor iniciante francês. O filme é baseado no livro de mesmo nome de Georges Bataille, um nome recorrente em minhas leituras, por causa de sua vasta obra erótica. Piérre é um adolescente que perdeu o pai e vive numa casa com a mãe. Só que tem um detalhe: a mami é uma doida varrida (interpretada no filme pela grande estrela do cinema francês, Isabelle Huppert – a mesma MARAVILHOSA de “A Professora de Piano” e “Madame Bovary”), que vive movida por vícios: bebida e sexo indiscriminado. Vale homem, mulher e o que mais de bizarro existir. Muito bem... Isabelle é inconformada com o comportamento straight de seu filho e resolve apresentá-lo para uma de suas amiguinhas e amante. O garoto treme, reluta a cair na vida libertina. Um belo dia, ele se vê totalmente entregue aos desejos que sua mãe havia projetado para ele: a mesma vida cheia de vícios. Infelizmente, a obra de Bataille está esgotada no Brasil – e o livro que inspira esse filme, particularmente. Mas para quem se interessa pelo tema, está em algumas livrarias "O Padre C", que narra a trajetória promíscua, por assim dizer, de dois irmãos gêmeos. Um deles padre. Só pra refrescar a memória de quem foi: Isabelle Huppert esteve uma vez no Brasil com "4.48 Psychose", a peça mais famosa da ‘sobrenatural’ Sarah Kane, no papel de uma suicida. E eu tb estava lá. TUDO essa francesa!!!